Reação a EUA foi discutida com Lula em dia de reunião ministerial
Itamaraty alegou que processo é longo e era preciso começar discussão
A reação ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros foi discutida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última terça-feira (26), dia da reunião ministerial no Palácio do Planalto.
O pedido para dar início ao processo de aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica já havia sido feito na semana passada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O chanceler argumentou que o processo é longo e dividido em etapas e, portanto, era preciso começar.
A conversa sobre o tema, segundo apurou a CNN, envolveu, além do chanceler, os demais ministros das pastas que compõem o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais: Geraldo Alckmin, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Rui Costa, da Casa Civil; e Fernando Haddad, da Fazenda.
Lula deu aval para que o Itamaraty acionasse a Camex (Câmara de Comércio Exterior) e iniciasse consultas e investigações para a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos. O pedido foi oficializado ao órgão na noite desta quinta-feira (28).
À CNN, integrantes do governo afirmaram que o início do processo deixa espaço para que os Estados Unidos se manifestem durante a investigação e também para que mantenham diálogos diplomáticos. O governo brasileiro tem repetido que não se recusa a negociar os termos comerciais.
“A hora que eles quiserem negociar, o Lulinha paz e amor está de volta”, disse o petista nesta quinta-feira (28), durante a nomeação dos novos diretores das agências reguladoras, no Palácio do Planalto.
A Camex terá até 30 dias para produzir um relatório técnico analisando se as medidas americanas de sobretaxar em 50% produtos brasileiros se enquadram na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada no Congresso e sancionada por Lula neste ano.
Caso a Câmara de Comércio Exterior conclua haver possibilidade de aplicação da legislação, será instalado um grupo específico para sugerir contramedidas econômicas, que podem incluir retaliações no comércio de bens, serviços e propriedade intelectual.
O Itamaraty comunicará oficialmente os Estados Unidos nesta sexta-feira (29). O aviso abre espaço para que Washington se manifeste, permitindo diálogo e negociação diplomática.
A iniciativa brasileira foi comparada à Seção 301 dos EUA, instrumento legal usado por Washington para investigar práticas comerciais consideradas injustas e autorizar retaliações.



