Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Suspeito de liderar "caça a comunistas" foi colega de turma de Bolsonaro

Coronel reformado é contemporâneo do ex-presidente na Aman e investigado no inquérito do 8 de janeiro

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Apontado como líder de um grupo de extermínio de autoridades, autodenominado “Comando C4” —, sigla para Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos, o coronel reformado Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas foi colega do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na turma de 1977 da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman).

Alvo da operação da Polícia Federal nesta quarta-feira (28), o militar, que passou para a reserva em 2002, também é investigado no inquérito dos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro por incitar o enfrentamento das Forças Armadas contra os Poderes.

O coronel passou a ser investigado no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) após criar, em janeiro de 2023 — poucos dias após os ataques às sedes dos Três Poderes —, um perfil nas redes sociais chamado Frente Ampla Patriótica.

Nele, Caçadini, segundo a investigação, publicava vídeos em que buscava organizar grupos de direita e incitar integrantes das Forças Armadas contra os Poderes constituídos.

A defesa do coronel tentou manter o caso na Justiça Militar, que abriu mão da competência para o Supremo Tribunal Federal, porque a análise das provas produzidas indica patente conotação político-ideológica e, portanto, relação com o inquérito do 8 de janeiro.

O coronel, porém, acabou sendo preso em janeiro de 2024, acusado de ser o financiador do assassinato do advogado Roberto Zampieri, em Cuiabá, em Mato Grosso. Ele está detido no quartel do 44º Batalhão de Infantaria na capital matogrossense.

A morte do advogado deflagrou a investigação sobre a venda de sentença nos tribunais do Mato Grosso e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Foi a partir disso que a polícia chegou ao grupo que se autodenominava “Comando C4”.

Segundo a investigação, o grupo C4 mantinha uma tabela com os preços cobrados para monitorar e assassinar autoridades. Os valores chegavam a R$ 250 mil. Se a vítima fosse um senador, o serviço custava R$ 150 mil; no caso de deputados, R$ 100 mil.

As ações da PF são um desdobramento de um inquérito que tramita sob sigilo e que apura também a venda de sentenças judiciais envolvendo servidores do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT).

Antes de se tornar alvo da justiça, o coronel foi subsecretário de Integração de Segurança de Minas Gerais governo de Romeu Zema (NOVO) em 2019.