Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Tanure nega sociedade e diz que mantinha relação de “cliente” com Master

Em carta, empresário alvo de operação da PF afirma que suspeitas não passam de “especulações”

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O empresário Nelson Tanure negou nesta quinta-feira (15) ser controlador ou sócio, ainda que minoritário, do Banco Master. Alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero da PF (Polícia Federal), ele disse que sua relação com a instituição financeira de Daniel Vorcaro foi apenas como cliente ou aplicador.

Em uma carta de 11 parágrafos, Tanure disse que, na manhã de quarta-feira (14), foi surpreendido com um pedido de “busca pessoal”, autorizado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), e teve o celular recolhido.

“Cena inusitada para mim, nessa quadra da minha vida, com mais de 50 anos de vida empresarial nos mais diversos campos da economia brasileira”, disse.

No processo, estão sendo investigados os crimes de gestão fraudulenta, organização criminosa, manipulação de mercados e lavagem de capitais.

Segundo Tanure, a situação foi agravada pela publicação de inverdades, dando ares de realidade ao que não passa de especulação.

“NÃO fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente, inclusive por meio de opções, instrumentos financeiros, debêntures conversíveis em ações ou quaisquer mecanismos equivalentes”, escreve.

O empresário destaca que manteve com o Banco Master “relações estritamente comerciais, sempre na condição de cliente ou aplicador, assim como fazemos com outras instituições financeiras no Brasil e no exterior”.

“Essas relações envolveram aplicações financeiras, operações de crédito, gestão de fundos e aquisição de participações societárias, sem qualquer ingerência na gestão ou conhecimento das outras operações internas dessas instituições. Todas as operações foram realizadas em estrita conformidade com a legislação e a regulamentação vigentes”, detalhou.

Na carta, Tanure ainda disse que jamais “teve participação, ou sequer conhecimento, de eventuais relações mantidas pelo extinto Banco Master com terceiros, sejam eles Reag, BRB, Fictor ou outras instituições financeiras, fundos de pensão, fundos árabes, RPPA, entes públicos, políticos ou quaisquer outros agentes baseados em Brasília”.

O empresário afirma ainda que os recursos financeiros investidos têm origem na sua trajetória no mercado.

“Os recursos financeiros que investimos, com resultados positivos ou não, têm origem exclusivamente em nossa trajetória empresarial, que gerou e segue gerando milhares de empregos e riqueza para a sociedade brasileira, e no crédito construído ao longo de décadas de atuação responsável no mercado”, descreve.

O empresário investe atualmente em pelo menos 11 companhias, segundo informações em suas redes sociais. Entre elas, constam a Light, responsável pela energia elétrica no Rio de Janeiro, a incorporadora e construtora Gafisa, a EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), dentre outras empresas.

Tanure também detém ações do GPA (Grupo Pão de Açúcar).

Tanure ressalta ainda que vinha reduzindo gradualmente a exposição ao Banco Master.

“Neste momento, os valores eventualmente remanescentes correspondem a perdas suportáveis, próprias de operações de tomadores de risco.”

Por fim, o empresário disse que segue à disposição das autoridades para cooperar e que segue resiliente e com a serenidade com que sempre conduziu seus negócios.

“Tenho fé e plena confiança na seriedade das investigações, de que todos os fatos relacionados a mim serão devidamente esclarecidos e de que ficará comprovado que minhas relações com o extinto banco foram integralmente lícitas, ainda que, infelizmente, tenham nos acarretado bastantes prejuízos. Sigo resiliente, com a serenidade de quem sempre conduziu seus negócios com responsabilidade e trabalho, investindo na recuperação de empresas que geram valor para o Brasil.”

Leia a íntegra da carta de Nelson Tanure:

"NOTA DE ESCLARECIMENTO

Na manhã desta quarta-feira (14/01/2026), fui surpreendido com um pedido de “busca pessoal”, emitido pelo STF, que atendi com respeito e prontidão. Na ocasião, meu celular foi recolhido.

Cena inusitada para mim, nessa quadra da minha vida, com mais de 50 anos de vida empresarial nos mais diversos campos da economia brasileira.

A cobertura sobre o fato foi agravada pela publicação de inverdades, dando ares de realidade ao que não passa de especulação.

Diante disso, em respeito à minha história e à de todos que dela participam, quero deixar uma mensagem aos que realmente me conhecem, acompanham, que fazem ou fizeram negócio comigo ou com empresas das quais participo.

1). NÃO fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente, inclusive por meio de opções, instrumentos financeiros, debêntures conversíveis em ações ou quaisquer mecanismos equivalentes.

2) Mantivemos com o referido banco relações estritamente comerciais, sempre na condição de cliente ou aplicador, assim como fazemos com outras instituições financeiras no Brasil e no exterior. Essas relações envolveram aplicações financeiras, operações de crédito, gestão de fundos e aquisição de participações societárias, sem qualquer ingerência na gestão ou conhecimento das outras operações internas dessas instituições. Todas as operações foram realizadas em estrita conformidade com a legislação e a regulamentação vigentes.

3) Jamais tivemos participação, ou sequer conhecimento, de eventuais relações mantidas pelo extinto Banco Master com terceiros, sejam eles Reag, BRB, Fictor ou outras instituições financeiras, fundos de pensão, fundos árabes, RPPA, entes públicos, políticos ou quaisquer outros agentes baseados em Brasília.

4) Os recursos financeiros que investimos, com resultados positivos ou não, têm origem exclusivamente em nossa trajetória empresarial, que gerou e segue gerando milhares de empregos e riqueza para a sociedade brasileira, e no crédito construído ao longo de décadas de atuação responsável no mercado.

5) Há bastante tempo vínhamos reduzindo gradualmente nossa exposição ao referido banco. Neste momento, os valores eventualmente remanescentes correspondem a perdas suportáveis, próprias de operações de tomadores de risco.

Permaneço, como sempre estive, à disposição das autoridades e da Justiça para cooperar, demonstrando a correção da minha conduta. Tenho fé, e plena confiança na seriedade das investigações, de que todos os fatos relacionados a mim serão devidamente esclarecidos e de que ficará comprovado que minhas relações com o extinto banco foram integralmente lícitas, ainda que, infelizmente, tenham nos acarretado bastantes prejuízos.

Sigo resiliente, com a serenidade de quem sempre conduziu seus negócios com responsabilidade e trabalho, investindo na recuperação de empresas que geram valor para o Brasil."