CVM deve condenar 14 ex-diretores e funcionários do BRB em junho
Documentos enviados à CAE mostram que investigação da autarquia apontou omissões na divulgação das negociações por parte do BRB e conflitos de governança do Banco de Brasília com Master

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) informou a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) que, dos exatos 26 processos abertos pela autarquia para investigar a relação do BRB (Banco de Brasília) com o Master, um deverá levar à condenação de ao menos 14 ex-diretores e funcionários do banco do DF.
Documentos que a CNN Brasil teve acesso mostram que, além de indícios de irregularidades em vendas de ativos e falsificação de contratos e documentos, a investigação da CVM apontou ainda omissões na divulgação das negociações por parte do BRB e conflitos de governança do Banco de Brasília com o Master.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, agora, a expectativa é que a CVM decida as penas a serem aplicadas em junho. No mês passado, os 14 investigados foram acusados formalmente.
Isso porque, segundo os documentos, foram encontrados indícios de autoria e materialidade dos envolvidos nas investigações.
Em fevereiro, a CVM já havia criado um grupo de trabalho para a análise técnica de informações relacionadas ao Grupo Master e o BRB. De lá para cá, a autarquia vem consolidando informações que podem levar a responsabilização administrativa dos funcionários do banco do DF.
Os 14 acusados devem ser penalizados com multas e proibidos de atuar em operações do mercado de capitais. Paralelamente, a investigação da Polícia Federal segue, o que pode levar à penalização na esfera criminal.
Entre os nomes citados nas investigações da CVM estão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa – que está preso na Polícia Federal e pode fechar um acordo de delação premiada -; Dario Oswaldo Garcia Júnior, ex-diretor financeiro do banco; e Marcelo Talarico, ex-presidente do Comitê de Auditoria.
O TCU (Tribunal de Contas da União) também investiga o prejuízo ao erário e a omissão de fatos não divulgados pelo mercado relacionados ao Banco de Brasília. Documentos sobre as apurações do TCU também foram enviados à CAE.
Procurado pela reportagem, o Banco de Brasília afirmou que “todos os profissionais citados nas investigações relacionadas à Operação Compliance Zero e apontados em investigação independente da Machado Meyer, foram prontamente afastados de suas funções”.
“O Banco reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e o rigor na apuração de eventuais irregularidades”, completou.
Já a CVM disse que as áreas técnicas da Comissão não comentam processos em andamento.
A defesa do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que preferia não comentar. A CNN Brasil tenta contato com os advogados dos ex-diretores Dario Oswaldo Garcia Júnior e Marcelo Talarico. O espaço segue aberto.



