Análise: Governo volta a dar passo atrás em decisão econômica
Haddad precisou liberar orçamento para universidades após “mal-entendido”

Durante uma reunião com reitores de universidades federais nesta terça (27), o Palácio do Planalto precisou desfazer um “mal-entendido”. Leia-se: voltar atrás em uma decisão de ajustes de gastos, após pressão e, principalmente, depois de tomá-la de maneira impensada.
Coube aos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Camilo Santana (Ministério da Educação) resolver o problema de um decreto presidencial de abril que havia limitado o uso mensal de recursos das universidades.
Decreto esse que, feito de forma açodada, trouxe como consequência uma crise nas universidades federais; corte em programas; possibilidade de instituições sem água, luz e restaurante; e embates políticos que, na avaliação de quem acompanha a questão, poderiam ser evitados.
A verba, inclusive, já existia. O que Haddad prometeu nesta terça foi apenas liberar um montante que inicialmente não deveria ter sido limitado.
Camilo Santana afirmou que serão adicionados R$ 400 milhões ao orçamento das universidades federais. O problema é que esse montante – que tem como intuito recompor os R$ 340 milhões cortados do MEC no Orçamento de 2025 – será disponibilizado por meio de um remanejamento da própria pasta.
Ou seja, o MEC vai ter de tirar de outros lugares para dar às universidades federais. O risco é criar um buraco em outras áreas da educação pública e, consequentemente, uma nova crise política/econômica.
Questionado sobre a fonte do montante prometido, o Ministério da Educação não respondeu. O que se sabe é que, seja de onde for, fará falta.
As promessas de não colocar as universidades nos próximos bloqueios orçamentários e de recompor o orçamento das instituições chegam dias depois de o próprio ministro Haddad anunciar um bloqueio de R$ 31,3 bilhões.
No mesmo dia, Haddad também teve que voltar atrás sobre o aumento no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em investimentos em fundos no exterior.



