Análise: Hugo Motta tentou “canetar”, mas faltou combinar com os pares
Presidente da Câmara terá que decidir sozinho o futuro de Eduardo Bolsonaro

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), resolveu fazer nesta semana o que praticamente não tinha feito desde que assumiu a Casa: colocar a pauta para andar.
Quase que de um dia para o outro marcou reunião de líderes, chamou relatores dos textos, avisou servidores da Câmara e decidiu colocar tudo o que estava represado para andar.
Tentando agradar gregos e troianos, Motta prometeu o projeto de dosimetria para o PL, pautas econômicas para o PT e, por fim, ainda disse que iria dar andamento aos processos que poderiam afastar os quatro deputados “problemáticos” da Casa.
No entanto, faltou um detalhe importante nessa tentativa de “limpar” a pauta que Motta não calculou. Quem aposta alto, pode acabar perdendo tudo. E foi exatamente isso que aconteceu.
O presidente da Câmara disse que caberia ao plenário da Casa decidir sobre as cassações dos deputados Glauber Braga (PSOL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP), mas, segundo interlocutores, acreditava (e queria) que os dois perdessem os mandatos.
No fim das contas, Motta viu sair pela culatra as ações que buscavam desocupar a pauta e demonstrar a sua força enquanto presidente da Casa.
Interlocutores atribuem a derrota dupla de Hugo Motta a dois motivos. Primeiro porque o presidente da Câmara, seja por falta de experiência ou por pressa, acreditou no resultado que esperava sem fazer articulações para que ele se concretizasse. Segundo porque casos diferentes não podem ser analisados de maneira igual.
Para fontes do próprio Centrão, as quebras de decoro de Glauber e Zambelli não poderiam ser colocadas no mesmo bolo. A deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal e está fora do país. Enquanto Glauber agrediu um visitante dentro do Congresso Nacional.
Agora, a expectativa é que Motta, tentando recuperar o controle total da Câmara - algo que, de fato, nunca teve – acelere o processo de cassação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por faltas. Como o processo não passará pela votação de parlamentares, a decisão final pode sair ainda este ano.
A leitura é que, para não ser derrotado, o presidente da Câmara decidirá por ele mesmo. A perda de mandato de Eduardo Bolsonaro sairá da caneta de Hugo Motta e de mais ninguém.



