Análise: Planalto tem vitória dupla em acordo para salvar o BRB
Governo Federal não precisou colocar dinheiro do Tesouro e ainda evitou que rombo de R$ 17 bilhões no FGC

O anúncio do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que está sendo negociado entre o Palácio do Planalto e o GDF (Governo do Distrito Federal) uma operação de crédito para salvar o BRB (Banco de Brasília), à primeira vista, pode ser visto como um passo atrás do governo federal.
No entanto, a leitura tanto no Executivo Federal quanto no governo do DF é justamente outra. Desde o início, o Planalto afirmava que não iria ceder à pressão política e agendar encontros entre o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e a atual governadora, Celina Leão (PP), com Lula. O que de fato não aconteceu.
Lula, segundo interlocutores, também se recusava a colocar dinheiro do Tesouro Nacional nas negociações e já havia avisado ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que o único jeito de ajudar o GDF seria via repasses de fundos da União que já tinham como destino Brasília. O que deve acontecer.
Por fim, Lula também sabia que deixar o BRB quebrar traria um prejuízo não apenas político, como também econômico. Segundo o ministro da Fazenda, a liquidação do BRB geraria um rombo de R$ 17 bilhões no FGC (Fundo Garantidor de Crédito).
Como a CNN Brasil antecipou, pelo acordo fechado nesta terça (26), caberá a um pool de bancos disponibilizar o dinheiro para aumentar o capital do BRB e colocar as contas do banco nos eixos. Serão bancos públicos e privados de forma conjunta que avalizarão o empréstimo do FGC ao governo do DF.
Mas, por outro lado, o GDF terá de apresentar contrapartidas que incluem colocar o Fundo de Participação dos Estados na negociação – verba da União que já chegaria aos cofres do Distrito Federal.
A conclusão agora é que quem saiu vencedor no meio disso tudo foi mesmo o Planalto, que não perdeu dinheiro, não cedeu ao governo do DF, mas também não deixou o BRB quebrar.
A governadora Celina Leão também tem dito a interlocutores que resolveu o problema do banco e, com isso, espera garantir a eleição de outubro para seguir no comando do GDF.
No fim, ao que tudo indica, quem pagará a conta mesmo será o cidadão do Distrito Federal que poderá ver o dinheiro que era para ser usado para o bem público ser desviado para arcar com o rombo do BRB. Nisso, já não há novidades.



