Larissa Rodrigues
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Larissa Rodrigues

Acompanha de perto as articulações do Congresso com o Executivo e como a relação entre os Poderes interfere na vida da população e na economia do país

Ex-assessora de Lira acumulou cargos na Caixa e na Codevasf

Órgãos comandados pelo Centrão permitiram remuneração extra e influência para além do Congresso

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Assessora especial do PP na Câmara dos Deputados e braço-direito do ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL), Mariângela Fialek - conhecida como Tuca-, além de ser a responsável pela distribuição de emendas parlamentares, acumulou cargos em órgãos governamentais com a atuação no Congresso Nacional.

Com isso, além de aumentar os R$ R$ 23.732,92 mensais que recebe da Câmara, Tuca também conseguiu um maior poder político de 2021, quando entrou no Congresso Nacional, até abril deste ano, quando deixou o Conselho Fiscal da Caixa Econômica Federal.

O Conselho é responsável “por fiscalizar os atos dos administradores”, “opinar sobre a prestação e contas” e “examinar as demonstrações financeiras semestrais e anuais” do banco público.

Além da Caixa, entre os anos de 2020 e 2023, a servidora da Câmara dos Deputados também atuou no Conselho Fiscal da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, segundo o próprio órgão.

A Codevasf é conhecida por sempre ser comandada por indicação do Centrão e usar em suas obras uma grande parte das emendas parlamentares disponibilizadas pelo Executivo.

Entenda

Nesta sexta (12), Mariângela foi alvo da Operação Transparência, realizada pela PF (Polícia Federal), que cumpriu mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O inquérito que resultou na operação contou com o depoimento de seis parlamentares. Segundo a PF, as oitivas trouxeram indícios de que Tuca integrava uma "estrutura organizada" voltada ao desvio de emendas.

Em nota, os advogados da servidora afirmaram não ter havido “prática de nenhuma irregularidade funcional ou criminal” e que Mariângela é uma servidora técnica com atuação em diversos governos e conselhos fiscais de empresas.

Ainda segundo a nota, a servidora “era responsável tecnicamente pela organização das emendas parlamentares, nos exatos termos do que decidido pela Presidência da Casa e por todos os líderes partidários indistintamente (Colégio de Líderes)”.