Tem outro Chico há quase quatro anos esperando decisão
Senador encontrado com dinheiro na cueca ainda não teve pedido que pode cassar o mandato dele analisada

Nesta semana, ao se falar do caso do deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, um outro Chico foi lembrando pelos parlamentares.
Durante conversas nos corredores do Congresso Nacional, líderes lembraram do senador Chico Rodrigues (PSB-RR), flagrado pela Polícia Federal em 2020 com R$ 33 mil na cueca.
Quase quatro anos depois, o episódio -- que gerou representação no Conselho de Ética com pedido de cassação -- nunca foi a analisado pelo colegiado.
Em 2020, Chico Rodrigues estava no antigo Democratas, era vice-líder do então presidente Jair Bolsonaro no Senado e empregava em seu gabinete Leonardo Rodrigues, o Léo Índio, primo dos filhos do ex-presidente. Hoje, está no PSB, partido da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Chama a atenção, no entanto, que, independentemente da legenda ou do posicionamento político em que esteja, Chico Rodrigues segue sem ter o episódio constrangedor analisado pelo Conselho de Ética. Para além: nem mesmo o relator responsável por levar adiante a representação com pedido de cassação do parlamentar foi escolhido.
No Senado, a demora encontra algumas justificativas. Primeiro por que durante a pandemia de coronavírus o Conselho de Ética não funcionou. Tanto que a representação contra o senador só foi instalada oficialmente em junho de 2023.
E segundo porque o senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi escolhido relator, mas pediu para não seguir com o trabalho, alegando impossibilidade “por motivo de foro íntimo”.
Questionado pela CNN sobre a decisão, Calheiros não respondeu.
O pedido para deixar a relatoria da representação contra Chico Rodrigues foi a última movimentação que o caso teve no Conselho de Ética do Senado. De 16 de junho do ano passado para cá, nada aconteceu.
A assessoria de imprensa do presidente do Conselho de Ética, senador Jayme Campos (União-MT), afirma que o colegiado está “preparando uma reunião nos próximos dias” para “resolver” o caso Chico Rodrigues e outros que estão parados há algum tempo.
Vale enfatizar que, após a escolha do novo relator, o processo ainda correrá de forma lenta. Isso porque, segundo o regimento interno do Senado, é preciso dar tempo para a colheita de depoimentos, além de ampla defesa e espaço para recurso — caso essa seja a vontade de Chico Rodrigues.
Procurado, o senador não comentou a demora para análise do pedido de cassação. Na esfera criminal, Chico Rodrigues foi indiciado pela Polícia Federal ainda em 2021.
Ele é investigado pela participação em suposto esquema de desvio de dinheiro de combate à pandemia em Roraima. Foi durante operação da PF no estado que o parlamentar escondeu dinheiro na cueca.
Na Câmara, o caso de Chico Rodrigues tem sido usado pela base governista como o que “não pode acontecer”. Líderes têm dito que é preciso acelerar o pedido de cassação do deputado Chiquinho Brazão no Conselho de Ética, antes que o assunto “esfrie” e entre no "esquecimento".
Até agora, a expectativa é de votação das representações apresentadas contra Brazão ainda no primeiro semestre de 2024. No entanto, também não há relator definido para o caso.
O deputado Chiquinho Brazão está preso desde o dia 24 de março acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do seu motorista Anderson Gomes.



