Leonardo Reis
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Leonardo Reis

Mestre em Linguística, empreendedor, autor e fundador da American English Academy, promovendo a inclusão através da educação

De Shakespeare ao TikTok: como o inglês muda todos os dias

Nesse espaço, o inglês não é só língua, mas performance

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O inglês, como qualquer língua viva, está em constante mutação. Mas raramente temos a chance de perceber essa transformação acontecendo tão rapidamente diante de nossos olhos.

Do inglês rebuscado de Shakespeare ao inglês veloz, fragmentado e multimodal do TikTok, a língua reflete não apenas mudanças gramaticais e lexicais, mas também transformações culturais, tecnológicas e sociais. 

Shakespeare: o “influencer” original 

No século XVI, Shakespeare expandiu o vocabulário do inglês em centenas de palavras e expressões. Muitas ainda estão em uso, como lonely, gossip ou fashionable.

Seu inglês soava moderno para a época, mas hoje é estudado como literatura clássica, quase uma língua à parte. A cada nova peça, o dramaturgo não só retratava seu tempo como moldava o próprio idioma, algo que artistas e criadores digitais continuam a fazer agora, séculos depois. 

O inglês globalizado 

Nos séculos seguintes, a expansão colonial britânica e, depois, o poder econômico e cultural dos Estados Unidos transformaram o inglês em língua franca global. Esse processo trouxe consigo um fenômeno curioso: palavras regionais, sotaques e gírias viajaram, se adaptaram e voltaram transformados. Hoje, o inglês não é apenas de Londres ou de Nova York, é também de Lagos, de Mumbai, de Sydney e, claro, da internet. 

O inglês da internet 

A chegada da era digital acelerou esse movimento. Fóruns, memes e redes sociais reinventaram não só o vocabulário, mas também a sintaxe. Abreviações como LOL, BRB e OMG nasceram em chats dos anos 1990.

Hoje, emojis, gifs e hashtags são parte integral da comunicação. O inglês online deixou de ser apenas escrito ou falado: tornou-se multimodal, visual e instantâneo. 

TikTok e a aceleração da linguagem 

O TikTok é o ápice dessa transformação. Expressões como rizz, delulu ou it girl atravessam o planeta em questão de horas. A plataforma funciona como um laboratório linguístico em tempo real, onde cada vídeo pode lançar uma gíria nova, remixar velhas expressões ou até mudar a conotação de palavras já conhecidas. 

Nesse espaço, o inglês não é só língua, mas performance. Ele se dobra à música, à dança, ao humor, ao sarcasmo, à autoexpressão de comunidades diversas. E, ao contrário dos dicionários tradicionais, o que vale é a velocidade de adoção: uma palavra pode ser tendência global numa semana e obsoleta na seguinte. 

O futuro em construção 

Se Shakespeare estivesse vivo, talvez fosse um criador viral do TikTok, inventando palavras em vídeos curtos, testando reações e observando o idioma se transformar diante de milhões de espectadores. O inglês nunca foi estático, e agora menos do que nunca: cada trend é uma pequena revolução linguística. 

E o mais fascinante é que estamos todos participando desse processo, seja repetindo uma gíria, remixando um meme ou apenas assistindo. O inglês muda todos os dias e cada like, cada comentário, cada compartilhamento é um tijolo nessa construção coletiva da linguagem.