Leonardo Reis
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Leonardo Reis

Mestre em Linguística, empreendedor, autor e fundador da American English Academy, promovendo a inclusão através da educação

Existe idade certa para aprender inglês?

Crianças costumam desenvolver pronúncia mais próxima da de um nativo, enquanto adultos frequentemente aprendem gramática, vocabulário e estruturas da língua com mais rapidez

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A resposta é mais interessante do que um simples "sim" ou "não". A ciência mostra que crianças e adultos aprendem idiomas de maneiras diferentes. Crianças costumam desenvolver uma pronúncia mais próxima da de um falante nativo, enquanto adultos frequentemente aprendem gramática, vocabulário e estruturas da língua com muito mais rapidez. Ou seja, a idade influencia o processo de aprendizagem, mas não determina quem será fluente.

Uma das explicações mais conhecidas é a chamada Hipótese do Período Crítico, proposta pelo linguista Eric Lenneberg. Segundo essa teoria, existe uma fase da infância em que o cérebro apresenta maior plasticidade para adquirir uma língua de maneira espontânea, especialmente no que diz respeito aos sons, à entonação e ao sotaque. Após a adolescência, essa capacidade continua existindo, mas exige mais prática, atenção e exposição ao idioma.

É comum ouvir outra explicação: que as crianças aprendem melhor porque "as cordas vocais ainda não estão formadas". Essa afirmação, embora popular, não é totalmente correta. As pregas vocais já existem desde o nascimento e continuam seu desenvolvimento durante a infância e, principalmente, na puberdade.

O que realmente diferencia uma criança é a facilidade que seu cérebro possui para criar novas conexões neurais e reproduzir os sons que escuta diariamente. Além disso, crianças têm menos receio de errar. Elas repetem palavras centenas de vezes sem constrangimento, enquanto muitos adultos deixam de falar por medo de cometer erros.

Isso não significa que um adulto esteja em desvantagem. Pelo contrário. Adultos possuem competências cognitivas que podem acelerar bastante a aprendizagem. Eles conseguem compreender regras gramaticais, identificar padrões, estabelecer metas de estudo e relacionar o novo idioma ao conhecimento que já possuem. Muitos alcançam um nível de fluência excelente em poucos anos, mesmo tendo iniciado os estudos depois dos 30, 40 ou até 60 anos.

Na prática, o fator que mais influencia o sucesso não é a idade, mas a qualidade da exposição ao idioma. Uma criança que tem apenas uma aula de inglês por semana dificilmente será fluente. Em contrapartida, um adulto que estuda diariamente, conversa com falantes nativos, assiste a filmes, lê notícias e utiliza o inglês em situações reais pode atingir um nível extremamente elevado de comunicação.

Como linguista e professor de inglês há mais de duas décadas, costumo dizer aos meus alunos que o cérebro aprende aquilo que pratica. A fluência não é consequência da idade, mas da frequência, da consistência e da necessidade de usar o idioma. Quem transforma o inglês em parte da rotina evolui muito mais rapidamente do que quem apenas frequenta uma sala de aula.

Talvez a pergunta correta não seja "Qual é a melhor idade para aprender inglês?", mas sim "Quando é a melhor hora para começar?". A resposta é simples: hoje. Porque a única idade em que realmente não aprendemos um idioma é aquela em que decidimos não tentar.