Lourival Sant'Anna
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Lourival Sant'Anna

Analista de Internacional. Fez reportagens em 80 países, incluindo 15 coberturas de conflitos armados, ao longo de mais de 30 anos de carreira. É mestre em jornalismo pela USP e autor de 4 livros

Ampliação da guerra entre EUA e Irã pode intensificar choque econômico

Houthis anunciam que vão atacar petroleiros sauditas, que transportam 7% do petróleo consumido no mundo

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Os Estados Unidos estão se preparando para uma guerra mais longa e mais ampla contra o Irã, que por sua vez também está estendendo o teatro de operações para o Mar Vermelho, no outro lado da Península Arábica.

Caças F-16 estão sendo deslocados de uma base americana da Alemanha e caças F-35 do Reino Unido para serem empregados contra o Irã. Os F-16 têm a função de abrir corredores destruindo baterias antiaéreas e sistemas de radares. Já os F-35 proporcionam penetrações furtivas e ataques precisos.

Aviões de abastecimento no ar KC-135 e KC-46 também estão sendo levados para a região, para possibilitar missões de grande duração.

Tudo isso indica que os EUA, que antes previam uma guerra breve e decisiva, agora se deparam com a realidade de uma campanha longa no Oriente Médio, precisamente aquilo que o presidente Donald Trump criticava desde sua primeira eleição, em 2016.

O que não está claro é como mais bombardeios aéreos podem demover o Irã de exercer o controle sobre o Estreito de Ormuz. Ao longo de 40 dias, entre o final de fevereiro e o início de abril, os EUA executaram 13 mil missões aéreas e Israel, 10 mil, sem destruir a capacidade do Irã de atingir navios no Estreito e alvos nas monarquias árabes do Golfo, na Jordânia, na Síria e no Iraque.

Depois de nove dias consecutivos de bombardeios americanos, o Irã continua atacando esses alvos. O número de militares americanos mortos já chega a 18, além de um desaparecido e ao menos 420 feridos. Duas mortes ocorreram no fim de semana em uma base americana na Jordânia.

Os houthis, milícia patrocinada pelo Irã no Iêmen, anunciaram nessa segunda-feira que vão atacar navios sauditas no Mar Vermelho. O grupo demonstrou a capacidade de fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico, no fim de 2023, quando começou a atacar navios israelenses e depois estendeu as ações contra os de outros países.

A Arábia Saudita desviou o escoamento de seu petróleo do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho. Um oleoduto que liga o leste ao oeste da Península Arábica transporta atualmente quase 7 milhões de barris diários para o porto de Yanbu, no mar Vermelho. Isso representa 7% do consumo mundial.

Além do petróleo, o Mar Vermelho é a rota dos cargueiros da Ásia para a Europa, passando pelo Oceano Índico, o Canal de Suez e o Mediterrâneo. Por ali passa um quinto dos navios de contêineres do mundo, levando bens industrializados.

A alternativa é contornar o Cabo da Boa Esperança, no sul da África, o que aumenta em 6 mil km e de 10 a 15 dias o percurso.

Assim, em vez de superar o choque econômico gerado pelo controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz, a ampliação da guerra pode aprofundar ainda mais esse choque.

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