Lourival Sant'Anna
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Lourival Sant'Anna

Analista de Internacional. Fez reportagens em 80 países, incluindo 15 coberturas de conflitos armados, ao longo de mais de 30 anos de carreira. É mestre em jornalismo pela USP e autor de 4 livros

Empresas brasileiras reúnem argumentos para negociar com Trump

Elas geram empregos e investem nos EUA, e prometem fazer mais nos próximos anos

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Empresas brasileiras — e americanas baseadas no Brasil — que exportam para os Estados Unidos estão reunindo argumentos baseados em dados econômicos com potencial de convencer o presidente Donald Trump a aceitar exceções à tarifa de 50%.

A Embraer, por exemplo, afirma gerar mais de 2.500 empregos diretos nos EUA, com suas duas fábricas na Flórida e cinco unidades de serviços de manutenção. E mais de 10 mil empregos em companhias americanas, como a General Electric, que fornece motores para os aviões brasileiros, e outras empresas, que produzem válvulas e outras partes.

Os planos da Embraer para os próximos cinco anos prevêem déficit de US$ 8 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos, já que exportaria US$ 13 bilhões e importaria US$ 21 bilhões.

Além disso, a aviação regional americana depende dos aviões brasileiros. No ano passado, a Embraer vendeu 90 aviões modelo E175, de 80 passageiros, para a American Airlines. Este ano, foram outros 60, para a Sky West. Aviões da americana Boeing são grandes demais para substituir os modelos da Embraer.

Empresas americanas instaladas no Brasil são responsáveis por 30% das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Elas podem ser aliadas importantes no lobby brasileiro contra o tarifaço de Trump.

O Fórum de CEOs Brasil-EUA reúne 11 empresas, que atualmente geram mais de 18 mil empregos diretos nos Estados Unidos, fora os indiretos. Segundo o coordenador do lado brasileiro da entidade, Ailtom Nascimento, essas empresas estão assumindo compromissos de investir mais US$ 7 bilhões nos EUA nos próximos três anos, gerando mais 3 mil empregos.

Nascimento acha também que o Brasil pode propor acordos de transferência de tecnologia, que no caso brasileiro envolveriam setores como aviação, agronegócios e serviços financeiros, incluindo o Pix, que chamou a atenção do governo americano como um concorrente das plataformas de transferência de dinheiro.