Lourival Sant'Anna
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Lourival Sant'Anna

Analista de Internacional. Fez reportagens em 80 países, incluindo 15 coberturas de conflitos armados, ao longo de mais de 30 anos de carreira. É mestre em jornalismo pela USP e autor de 4 livros

Irã impôs como condição manter o pedágio em Ormuz, diz fonte iraniana

Trump ameaça escalar os bombardeios para evitar dois desfechos indesejáveis: o estreito fechado ou o emprego de tropas

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu nesta segunda-feira (6) que a reabertura do Estreito de Ormuz “é uma grande prioridade”. A razão disso é que, segundo me confirmou uma fonte do governo do Irã, a contraproposta iraniana ao plano de cessar-fogo americano impõe como condição que o país possa continuar cobrando pedágio dos cargueiros que passam pelo estreito.

Essa é a explicação também para o fato de Trump ter anunciado um ultimato para o Irã abrir o estreito até as 21h de Brasília nesta terça-feira (7). Caso contrário, ele ameaça destruir as pontes e instalações de energia e de dessalinização e “aniquilar” (“take out”, que pode ser traduzido também por “eliminar” ou “destruir”) o Irã em 4 horas.

A ameaça de escalada do bombardeio aéreo revela o dilema do presidente americano: de um lado, não é estrategicamente aceitável encerrar essa guerra com o estreito sob controle do Irã, o que não acontecia antes; de outro, o alto risco político de empregar forças terrestres para garantir a navegação.

“O que acha de nós cobrarmos pedágio no estreito?”, perguntou Trump durante a entrevista coletiva de 90 minutos dessa segunda-feira na Casa Branca. “Temos um conceito de que nós é que vamos cobrar. Nós ganhamos.” Segundo o presidente americano, o ganho iraniano é apenas “psicológico”.

Trump completou: “Temos que ter um acordo aceitável para mim. Parte dele é livre trânsito pelo estreito”.

Ele disse que as forças americanas destruíram todas as embarcações de colocação de minas, e no total 158 navios de guerra iranianos. “Mas para fechar o estreito só precisa de um terrorista com um caminhão com bombas despejá-las na água.”

Trump se definiu como um homem de negócios antes de tudo. “Se eu pudesse escolher, gostaria de usar o petróleo do Irã. Ao vencedor, o espólio”, disse ele, lembrando o caso da Venezuela.

A situação é diferente, no entanto. Primeiro, porque o Irã começou a ser bombardeado por EUA e Israel quando estava em um processo de negociação com os americanos. O território venezuelano não foi bombardeado, e os ataques a embarcações no Caribe, seguidos de um semibloqueio naval, serviram como pressão para negociar.

Além disso, a geografia da Venezuela, com seus mares abertos e muito próximos da costa americana, são uma vulnerabilidade. Já o Irã usa a geografia a seu favor, com sua capacidade de fechar o estreito pelo qual passam 20% do petróleo e do gás, 33% dos fertilizantes e 9% do alumínio consumidos no mundo.