Vitória de partido radical alemão é mais um passo em sua normalização
Alternativa para a Alemanha pode formar governo pela primeira vez em estado do leste

A vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD) na eleição para o Parlamento do estado da Saxônia-Anhalt representa mais um marco histórico alcançado pelo partido, qualificado pelo serviço de inteligência interno alemão, o Escritório Federal para a Proteção da Constituição (BfV), como um grupo extremista.
A AfD defende que os cidadãos alemães de etnias não-germânicas sejam expulsos de volta para os países de origem de seus antepassados. E que a arte alemã seja “limpa” de supostas influências externas e de mensagens feministas. O partido ataca por exemplo o movimento modernista Bauhaus, das primeiras décadas do século passado.
São posições idênticas às assumidas pelos nazistas. Por sinal, a AfD defende que as escolas parem de ensinar sobre o período do nazismo e se concentrem no século 19, para que as crianças alemãs deixem de sentir culpa e passam a sentir orgulho, segundo seus líderes. Os estados têm bastante autonomia sobre o ensino na Alemanha.
Ficaram faltando apenas três cadeiras no Parlamento para o partido obter maioria absoluta e governar sem precisar formar coalizão. Há a chance de a AfD conquistar apoio do BSW, partido de extrema esquerda que coincide com ela nas posições contra os imigrantes e a favor de uma aproximação com a Rússia de Vladimir Putin.
O BSW criticou a barreira imposta pelos outros partidos contra formar coalizão com a AfD. Ele obteve cinco cadeiras no Parlamento e suas discordâncias com o partido de extrema direita são no campo econômico. A AfD pode tentar atrair também três deputados estaduais mais conservadores da União Cristã-Democrata (CDU), embora o chanceler Friederich Merz, líder do partido, tenha descartado essa coalizão.
Se houver duas votações inconclusivas no Parlamento estadual para formação de governo, a AfD pode instalar um gabinete de minoria.
O partido já havia ficado em segundo lugar nas últimas eleições nacionais, em fevereiro de 2025. Mas os partidos tradicionais tanto de esquerda quanto de direita se recusaram a formar governo com ela.
Seu crescimento, sobretudo nos estados da antiga Alemanha Oriental, tende a normalizar gradualmente a participação da AfD no poder. Esses estados antes governados pelo regime comunista nunca conseguiram atingir o nível de prosperidade do lado ocidental, capitalista.
Desde a unificação da Alemanha, em outubro de 1990, um quarto da população da Saxônia-Anhalt, sobretudo os mais jovens e mais instruídos, emigrou para o lado ocidental. Hoje, 52% da população está aposentada, o que sobrecarrega as contas e os serviços públicos. Essa é a realidade na qual a xenofobia e o radicalismo florescem.



