Luciana Taddeo
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Luciana Taddeo

Correspondente de América Latina, sediada há mais de 10 anos na Argentina. Morou na Venezuela.

Após silêncio sobre Nobel, Maduro chama María Corina de “bruxa demoníaca”

Chavista afirmou que população repudia líder opositora, mas sem fazer referência à premiação

Maria Corina Machado e Nicolás Maduro, presidente da Venezuela
Maria Corina Machado e Nicolás Maduro, presidente da Venezuela  • REUTERS/Gaby Oraa REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria
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Após dois dias de silêncio sobre o prêmio Nobel da Paz concedido a María Corina Machado, o venezuelano Nicolás Maduro qualificou neste domingo (12) a líder opositora como “bruxa demoníaca”.

“Todas as pesquisas estão aí: 90% do nosso povo repudia qualquer ameaça de invasão ou guerra contra a Venezuela. 80, 85% estão dispostos a combater pela sua pátria, pela sua terra, a Venezuela. 90% de toda a população repudia a bruxa demoníaca da Sayona”, afirmou Maduro em discurso pelo Dia da Resistência Indígena na Venezuela.

“La Sayona” é a forma pejorativa com que Maduro se refere a María Corina Machado. O nome se deve a uma personagem do folclore venezuelano: uma mulher atraente, de cabelo escuro, que se veste de branco e castiga homens infiéis.

No discurso, Maduro disse ainda que os venezuelanos querem paz, mas “paz com liberdade, com soberania, com independência, com dignidade e com igualdade, não a paz do império”.

O discurso acontece depois de mais de 48 horas de silêncio de Maduro e dos principais líderes chavistas acerca do prêmio a Machado. Maduro, no entanto, não fez referência ao Nobel.

De acordo com o comitê norueguês, a distinção foi concedida a Machado pelo trabalho “incansável” da líder opositora “na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.

Machado, que foi impedida de ser candidata nas eleições presidenciais de 2024, e teve parte da sua equipe presa durante a campanha e após o pleito, está escondida desde o ano passado, após ameaças do regime de Maduro.