Luciana Taddeo
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Luciana Taddeo

Correspondente de América Latina, sediada há mais de 10 anos na Argentina. Morou na Venezuela.

Bolívia e Uruguai também reforçam controles na fronteira com Brasil

Argentina e Paraguai já tinham anunciado alerta máximo para evitar entrada de criminosos brasileiros em seus territórios

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Após a Argentina e o Paraguai declararem alerta máximo nas fronteiras, a Bolívia e o Uruguai também anunciaram nesta quinta-feira (30) que reforçaram medidas de segurança para evitar a entrada de criminosos brasileiros em seus territórios.

Os reforços acontecem após a megaoperação policial contra o Comando Vermelho, que deixou mais de 120 mortos no Rio de Janeiro. O temor dos países vizinhos é uma “debandada” de integrantes das facções que tentem fugir das autoridades brasileiras.

À CNN, o ministério de Governo da Bolívia confirmou o reforço de controles policiais em postos fronteiriços, principalmente em cidades dos departamentos de Pando, Beni e Santa Cruz, na fronteira com o Acre, Rondônia e Mato Grosso.

A ação é parte da operação “Escudo de Ferro”, iniciada há alguns dias após informações de que haveria criminosos estrangeiros no país.

Os controles foram estendidos para toda a fronteira e reforçados por ordem do governo de Luis Arce após a operação no Rio.

Ao sul do Brasil, o Uruguai também anunciou que aumentará a segurança das fronteiras.

“Já foram tomadas medidas, já há ordens expressas de reforço da vigilância das fronteiras, a polícia já está cuidando do assunto”, disse hoje o ministro do Interior, Carlos Negro.

Ele afirmou ainda que em alguns dias viajará para o Brasil para discutir o tema com outros ministros da região.

“Certamente será uma questão que vamos abordar em conjunto. A problemática do Río de Janeiro claro que nos preocupa e também nos leva a pensar no que não pode acontecer no nosso país e nas coisas que não devemos fazer no nosso país”, expressou.

Para o ministro, a operação consistiu em uma “violência indiscriminada (...) exercida sem objetivos claros”. Ele disse ainda que a ação resultou na “perda de vida de pessoas inocentes”, referindo-se aos mais de 120 mortos, inclusive policiais.

“Tudo isso nos leva à reflexão de quais políticas de segurança queremos implementar em nosso país e quais não devemos implementar. E também tem que levar à reflexão das mensagens transmitidas, porque exaltar esse tipo de ações é profundamente irresponsável”, concluiu.