Luciana Taddeo
Blog
Luciana Taddeo

Correspondente de América Latina, sediada há mais de 10 anos na Argentina. Morou na Venezuela.

Evo Morales pede que Lula se pronuncie sobre eleições na Bolívia

Ex-presidente boliviano não pode se candidatar para pleito presidencial de agosto e denuncia perseguição pelo governo Arce

Compartilhar matéria

O ex-presidente Evo Morales pediu nesta segunda-feira (7) que presidentes e ex-presidentes da região, entre eles o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, se manifestem sobre sua denúncia de estar sofrendo perseguição política do governo boliviano para não poder ser candidato nas eleições marcadas para 17 de agosto.

“Pedimos que levantem sua voz e se unam à exigência de justiça e transparência. Que a história não nos julgue por ficar em silêncio diante da perseguição dos que, a partir do poder, traem os ideais populares”, escreveu Morales, em uma carta aberta endereçada a Lula e outros presidentes e ex-presidentes, na rede social X.

No texto, ele afirma haver "provas irrefutáveis" sobre um suposto plano do governo de seu ex-aliado, Luis Arce, para proscrever sua candidatura e cancelar a personalidade jurídica do seu movimento político.

"O governo de Luis Arce Catacora recorreu a práticas de lawfare e perseguição política, próprias das estratégias que a direita utilizou para calar líderes progressistas e de esquerda em toda a América Latina”, escreveu Morales.

Na mensagem, o boliviano marcou não somente Lula, como Nicolás Maduro, da Venezuela, Claudia Sheinbaum, do México, Gustavo Petro, da Colômbia, Miguel Díaz-Canel, de Cuba, Yamandú Orsi, do Uruguai, e os ex-presidentes Cristina Kirchner, Dilma Rousseff, Rafael Correa e Alberto Fernández.

Na carta aberta, Morales afirma que a decisão do Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia, que o impediu de se candidatar à presidência, foi "redigida antecipadamente, e nada menos que do próprio gabinete do ministério da Justiça".

O ex-presidente boliviano denuncia ainda outras supostas irregularidades que seriam evidências de ligações entre o governo e o poder eleitoral.

“A independência da Justiça e a vontade popular estão em jogo. A Bolívia merece instituições limpas, processos transparentes e respeito à democracia. Não permitamos que a verdade seja silenciada, nem que os erros do passado se repitam”, escreveu.

Procurado pela reportagem, o Palácio do Planalto não se manifestou sobre o pedido do ex-presidente boliviano a Lula, que convidou Arce para a Cúpula dos Brics, realizada nesta semana no Rio de Janeiro.

Evo Morales presidiu a Bolívia por três mandatos consecutivos, entre 2006 e 2019. Segundo o TSE boliviano, ele não pode se candidatar porque o Tribunal Constitucional sentenciou que ele não pode ser reeleito.

Além do impedimento da candidatura presidencial, Morales também teve um mandado de prisão emitido contra ele por supostas relações sexuais com uma menor de idade.