Luciana Taddeo
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Luciana Taddeo

Correspondente de América Latina, sediada há mais de 10 anos na Argentina. Morou na Venezuela.

Jornalistas são soltos na Venezuela em onda de libertações de presos

Segundo sindicato de imprensa do país, pelo menos 15 jornalistas e trabalhadores de imprensa ganharam a liberdade nesta quarta-feira (14)

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Mais de dez jornalistas e trabalhadores de imprensa foram soltos na Venezuela nesta quarta-feira (14), em meio a uma onda de libertações de presos políticos anunciada pelo governo de Delcy Rodríguez.

De acordo com o Sindicato Nacional de Trabalhadores de Imprensa da Venezuela, 15 jornalistas foram soltos até meio-dia, no horário local (14h no horário de Brasília). A maioria deles passou mais de um ano na prisão.

Entre os libertados está o jornalista Roland Carreño, que apresentou um programa no canal de televisão Globovisión e foi candidato à Assembleia Nacional pelo partido Vontade Popular, dos opositores Leopoldo López e Juan Guaidó.

Outro libertado é Ramón Centeno, que foi repórter do jornal venezuelano Últimas Notícias e acabou preso após fazer uma entrevista com um deputado suspeito de pertencer a uma rede de narcotráfico.

Segundo o sindicato, o profissional acabou acusado de associação criminosa, tráfico de influências e usurpação de funções.

Entre os jornalistas soltos também está Gabriel González, que trabalhava na comunicação do partido Vente Venezuela, da líder opositora María Corina Machado.

Libertação de presos na Venezuela

A onda de libertações de presos acontece desde a última quinta-feira (8), quando o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou a soltura de um “número significativo” de presos, em um gesto a favor da paz e da união nacional.

Até terça-feira (13), o Foro Penal, organização não governamental que acompanha a situação de pessoas presas por motivos políticos, contabilizava 57 solturas. A estimativa é que quase 800 ainda continuavam presas.

O governo afirma, no entanto, que mais de 100 pessoas foram soltas desde o anúncio de Rodríguez na semana passada.

A expectativa de solturas levou a que familiares acampassem e fizessem vigílias do lado de fora de prisões, à espera da libertação de seus familiares.

Organizações de direitos humanos pedem transparência nas informações públicas sobre os presos que já foram soltos e quais ainda serão, com uma previsão de quando isso acontecerá, para diminuir o impacto que a situação pode gerar nos familiares.

As libertações de presos — que o governo de Delcy Rodríguez acusa de serem “políticos presos” e de terem promovido violência, e não “presos políticos” — começaram dias após os bombardeios dos EUA à Venezuela, em uma operação que resultou na captura de Nicolás Maduro.