Lava Jato sacudiu política do Peru e prendeu ex-presidentes; veja casos
Assim como no Brasil, as denúncias de corrupção envolvendo a empreiteira Odebrecht provocaram um terremoto no cenário político peruano.

Desde 2016, quando as primeiras suspeitas dos investigadores brasileiros vieram à tona, diversos ex-presidentes do país foram presos por suposto recebimento de propinas por parte da construtora.
Confira a lista de autoridades investigadas ou presas pelo caso Lava Jato:
Ollanta Humala
O ex-presidente foi condenado nesta terça-feira (15) a 15 anos de prisão pelo suposto recebimento de dinheiro ilícito do governo da Venezuela sob a presidência de Hugo Chávez e da empreiteira Odebrecht para o financiamento de campanhas em 2006 e 2011.
Humala, que governou o Peru entre 2011 e 2016, teria recebido US$ 3 milhões da empresa brasileira. Preso pelo caso entre 2017 e 2018, ele alegou perseguição política durante o julgamento.
A defesa de Humala afirma que as provas do julgamento foram obtidas de maneira ilícita e pretende recorrer tanto da sentença como da ordem de prisão preventiva contra ele e a ex-primeira-dama Nadine Heredia.
O ex-presidente está preso, mas Heredia não foi encontrada pela polícia. Ela está na embaixada brasileira em Lima desde a manhã desta terça e pediu asilo ao Brasil.
Alejandro Toledo
Presidente do Peru entre 2001 e 2006, Toledo foi condenado a 20 anos e 6 meses de prisão, por ter aceitado propina da empreiteira brasileira. No julgamento que durou um ano, Toledo negou as acusações de lavagem de dinheiro e conluio.
Toledo teria recebido US$ 35 milhões em suborno, em troca da licença para que a construtora fizesse parte da estrada Interoceânica, para que liga a costa sul do Peru a uma área amazônica do Brasil.
Ele foi preso nos Estados Unidos, após se entregar à Justiça, e foi extraditado em 2023 para o Peru.
Alan García
Alan García se suicidou em 2019 com um tiro quando a polícia peruana cumpria um mandado para prendê-lo em sua casa. Ele era acusado de receber subornos para favorecer a empreiteira brasileira com o contrato para a construção da linha 1 do metrô de Lima, em seu segundo mandato.
O ex-presidente, que governou o Peru entre 1985 e 1990, e entre 2006 e 2011, estava impedido de sair do país pela investigação de lavagem de dinheiro e conluio. García, que alegava inocência, chegou a solicitar asilo diplomático ao Uruguai, mas teve o pedido negado.
Pedro Pablo Kuczynski
Conhecido pela sigla “PPK”, o ex-presidente assumiu o poder em julho de 2016 e renunciou em março de 2018, investigado por corrupção vinculada à empreiteira brasileira.
Ele teria assessorado uma empresa da Odebrecht que ganhou a licitação de um projeto de irrigação.
Em prisão domiciliar desde 2019, o ex-presidente, que é alvo de um pedido de 35 anos de prisão pelo Ministério Público, disse em diversas oportunidades ser inocente.
Keiko Fujimori

Ex-candidata presidencial, Keiko Fujimori foi acusada de receber fundos ilícitos da Odebrecht para suas campanhas eleitorais de 2011 e 2016.
A informação surgiu do depoimento de Jorge Barata, ex-representante da empreiteira no Peru, de quem a filha de Alberto Fujimori teria recebido cerca de 1 milhão de dólares da empresa brasileira. O nome da ex-candidata também apareceu em anotações encontradas em agendas de Marcelo Odebrecht.
Tanto Fujimori quanto sua defesa negaram as acusações. Em janeiro deste ano, o julgamento dela e demais acusados de lavagem de dinheiro e organização criminosa, entre outros crimes, foi anulado por um tribunal peruano. O Ministério Público do país, no entanto, afirmou que irá recorrer da decisão.



