Luciana Taddeo
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Luciana Taddeo

Correspondente de América Latina, sediada há mais de 10 anos na Argentina. Morou na Venezuela.

Parecia mais afetada com atentado do que condenação, diz filho de Kirchner

Ex-presidente sofreu tentativa de assassinato em 2022 e agora teve sentença de prisão e proibição de se candidatar confirmada

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O deputado e filho de Cristina Kirchner, Máximo Kirchner, disse no sábado (14) que achou que sua mãe ficou mais afetada com a tentativa de assassinato que sofreu em 2022 do que com a confirmação de sua condenação pela Justiça nesta semana.

“Eu a achei muito mais afetada quando houve o atentado. Ela é firme, como costumam ser a maioria das mulheres em comparação com nós, mais firmes, mais resistentes, demonstra fortaleza”,
disse ele, ressaltando no entanto que não dá para “negar o impacto” da notícia.

Kirchner sofreu uma tentativa de assassinato na porta de sua casa em 2022. O atirador brasileiro, Fernando Sabag Montiel, chegou a apontar uma arma a centímetros do rosto da ex-presidente e disparar, mas a bala não saiu.

Ele, sua namorada Brenda Uliarte, e outro suposto coautor estão sendo julgados pela tentativa de homicídio.

Além do atentado, Máximo Kirchner também lembrou da atitude da mãe no falecimento do marido e ex-presidente Néstor Kirchner, em 2010.

“A dias da morte do seu companheiro de vida [estava] na Casa Rosada, trabalhando, administrando o Estado em função dos interesses da maioria e não cedendo jamais a nenhuma extorsão, a nenhuma pressão”, expressou o filho.

Ele disse, no entanto, não dar para negar o impacto da notícia. “Se eu fico impactado e às vezes fico olhando para ela, perguntando-me como ela faz, ela deve estar [afetada]”, disse.

Condenação e mobilização de apoiadores

Na última terça (10), a Suprema Corte de Justiça da Argentina negou o recurso de Cristina Kirchner contra a sentença de seis anos de prisão e proibição vitalícia de ocupar cargos públicos por suposto favorecimento de empresários em licitações de obras rodoviárias na província de Santa Cruz durante suas presidências (2007–2015).

A defesa afirma que Kirchner está sendo condenada por ações nas quais não interveio.

“Isso permite que qualquer presidente democraticamente eleito acabe sendo condenado por qualquer ato discricionário e arbitrário por juízes que não estão cumprindo com a Constituição como ocorreu neste caso”, afirmou seu advogado, Carlos Beraldi.

Kirchner confirmou que se apresentará no tribunal na próxima quarta-feira (18), conforme determinado pela Justiça, para a notificação da prisão. A defesa espera a resposta ao pedido de que ela possa cumprir prisão domiciliar.

Apoiadores da ex-presidente organizam uma caravana saindo da casa de Kirchner até o tribunal. Segundo a secretária-geral da sigla peronista, o Partido Justicialista, María Teresa García, acredita que será “a maior mobilização dos últimos tempos”.

“Vamos com ela até o tribunal e vamos esperar que a decisão seja que ela volte para casa. Se isso não ocorrer, vamos esperar no tribunal todo o tempo que for necessário. A decisão é que ela não vai estar sozinha nas decisões que a Justiça tomar”, garantiu.