Luciana Taddeo
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Luciana Taddeo

Correspondente de América Latina, sediada há mais de 10 anos na Argentina. Morou na Venezuela.

Petro quer que Colômbia deixe de ser sócia da Otan por postura sobre Gaza

País é, desde 2018, único sócio latino-americano da aliança militar, mas critica alinhamento com Israel

Presidente da Colômbia, Petro, diz que nenhuma hipótese está descartada em ataque a tiros contra senador
Presidente da Colômbia, Petro, diz que nenhuma hipótese está descartada em ataque a tiros contra senador  • REUTERS / PRESIDÊNCIA COLOMBIANA
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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse nesta quarta-feira (16) querer que seu país deixe de ser sócio global da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) pelo alinhamento com Israel, diante dos bombardeios na Faixa de Gaza.

“Devemos sair da Otan. Não tem outro caminho”, disse, na Conferência de Emergência sobre a Palestina realizada em Bogotá, convocada pelo Grupo de Haia - conjunto de países que exigem medidas contra Israel por violações ao direito internacional na Palestina.

Petro questionou a posição da Otan em relação aos bombardeios da Palestina e o vínculo da Colômbia com a aliança militar. Desde 2018, o país é o único sócio global da Otan na América Latina.

“O que estamos fazendo na Otan? Não chegou a hora de outra aliança militar? Como podemos estar com exércitos que jogam bombas em crianças? Esses exércitos não são exércitos de liberdade, são exércitos da escuridão”, acusou.

Referindo-se as ações militares de Israel contra Gaza, Petro afirmou que “os principais chefes da Otan estão com o genocídio”.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte, conformada por 32 países, não se envolveu diretamente na guerra em Gaza, mas parte dos integrantes - como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha - apoia Israel.

“O que fazemos aí? Não é a hora de reconfigurar militarmente o mundo? Não há um exército latino-americano. Não pode haver um exército da salvação da humanidade?”, questionou.

Procurada pela CNN, a presidência da Colômbia disse que ainda não há nenhuma formalização para que o país deixe de ser sócio da aliança militar.

Além das críticas à Otan, Petro afirmou que há armas israelenses chegando a território colombiano, e que o seu ministro da defesa “deve responder por isso”.

Ele ordenou que seu país, um dos principais exportadores mundiais de carvão, deixe imediatamente de vender o produto para Israel.

“O país da vida está ajudando a matar a humanidade. Eu não quero exportar carvão, nem explorar gás, eu decidi. E acabarão as últimas reservas de petróleo, porque isso mata a Colômbia e mata a humanidade”, disse.

O presidente colombiano disse ainda que seu país “não pode ter relação com governos europeus que estão ajudando a jogar bombas”, na Palestina.