Luciana Taddeo
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Luciana Taddeo

Correspondente de América Latina, sediada há mais de 10 anos na Argentina. Morou na Venezuela.

Regime de Maduro anuncia prisão de 17 estrangeiros antes de novas eleições

Ao todo, 38 pessoas forma presas pelo regime venezuelano

Uma arara voa perto de bandeira venezuelana no Palácio Federal Legislativo, em Caracas, Venezuela  • 16/04/2024REUTERS/Gaby Oraa
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O regime venezuelano anunciou nesta segunda-feira (19) que prendeu 38 pessoas, entre elas 17 estrangeiros, por suposta participação em planos para colocar explosivos em embaixadas, hospitais, comandos policiais e centros assistenciais do país.

“Há alguns dias chegou uma informação de ataques com explosivos dirigidos especialmente a embaixadas credenciadas na Venezuela”, disse o ministro do Interior do país e número dois do chavismo, Diosdado Cabello, em pronunciamento transmitido pelo canal estatal de televisão.

Segundo ele, os planos teriam como objetivo sabotar as eleições para governadores e legisladores marcadas para o próximo domingo (25), e transmitir ao mundo a imagem de “debilidade” do regime de Nicolás Maduro.

“O que eles querem é ter algum tipo de ressonância internacional”, disse Cabello sobre os idealizadores do suposto plano. Entre os estrangeiros, há, segundo ele, albaneses, ucranianos, mexicanos e colombianos.

Além das prisões, Cabello anunciou a suspensão de voos entre a Colômbia e a Venezuela, já que os presos teriam entrado no país através do país vizinho. "Demos instruções de suspender imediatamente todos os voos que venham da Colômbia para o nosso país", disse.

Os presos pelo regime venezuelano seriam coiotes (pessoas que cobram para transportar migrantes de um país a outro), mercenários e pessoas que trabalham com explosivos, e teriam sido financiados pelo narcotráfico colombiano.

“Eles chegaram na Venezuela, sem nenhuma justificativa, e quando revisamos equipamentos telefônicos, fala-se claramente do trabalho que vinham realizar no país”, disse Cabello, sobre os supostos planos terroristas.

Histórico de denúncias e acusações

O chavismo já fez inúmeras denúncias públicas sobre supostos planos da oposição para gerar a violência no país, promover atentados contra integrantes do regime, e desde o ano passado centenas dezenas de prisões.

A oposição, organismos da sociedade civil e organizações internacionais, por sua vez, denunciam arbitrariedade em prisões – justificadas pelos supostos planos desestabilizadores – e violações aos direitos processuais e humanos por parte do regime.

Questionado pela principal ala da oposição, o pleito do próximo domingo definirá governadores, legisladores estaduais e nacionais da Venezuela.

O processo ocorre em meio a chamados de abstenção por opositores que, assim como boa parte da comunidade internacional, não reconhece a vitória atribuída a Maduro pelo Conselho Nacional Eleitoral nas eleições presidenciais do ano passado.