Luciana Taddeo
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Luciana Taddeo

Correspondente de América Latina, sediada há mais de 10 anos na Argentina. Morou na Venezuela.

Silvinei alegou ter câncer e não conseguir falar, diz autoridade paraguaia

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O ex-diretor geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Silvinei Vasques, mostrou às autoridades do Paraguai um atestado médico que afirmava que ele tem um câncer “muito avançado” e que não podia se comunicar oralmente, segundo o comandante policial paraguaio Carlos Duré.

“Ele trouxe um atestado médico, que está sendo investigado, de uma clínica do Brasil, no qual menciona claramente que ele tinha um câncer muito avançado e que não poderia se comunicar oralmente, somente poderia se comunicar por escrito”, disse à CNN Brasil Duré, chefe do Comando Tripartite, departamento de cooperação policial entre Brasil, Argentina e Paraguai.

Segundo o chefe policial, após outros documentos serem encontrados - Silvinei também levava na bagagem um passaporte brasileiro -, ele começou a falar “seu idioma real”.

“Se você mostra um documento paraguaio, tem que falar guarani ou castelhano”, explicou Duré sobre a tentativa de Vasques de não se comunicar oralmente.

Segundo Duré, o brasileiro tinha curativos no pescoço e no braço.

“Ele afirmava que eram relacionados à doença. Eu não posso afirmar se ele tem ou não a doença, mas geralmente essas modalidades são utilizadas para tentar evitar certas situações de controle”, explicou.

O ex-diretor da PRF foi detido no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, na região metropolitana de Assunção, na madrugada desta sexta-feira (26), ao tentar embarcar em um voo para El Salvador.

Segundo as autoridades paraguaias, ele usou um documento de identidade extraviado de outra pessoa.

Vasques está sendo levado a Ciudad del Este e será entregue à Polícia Federal do Brasil nas próximas horas.

Antes de iniciar o deslocamento, ele foi interrogado pelo Ministério Público paraguaio.

No Brasil, Silvinei foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) por participação em tentativa de golpe de Estado. Ainda cabe recurso, por isso o ex-diretor aguardava em liberdade.

Procurada pela CNN, a defesa de Silvinei Vasques disse ainda estar recebendo informações sobre a situação do ex-diretor da PRF e decidiu não se manifestar até o momento.