Lucinda Pinto
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Lucinda Pinto

Jornalista de economia e negócios há mais de três décadas. Passou pelas redações de O Globo, Agência Estado, Valor Econômico e InvestNews.

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Escândalo do Banco Master eleva ansiedade sobre escolha de diretores do BC

Riscos associados à apuração da maior crise bancária da história recente do país transformaram a indicação em um ponto sensível — e politicamente delicado

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Diante do agravamento da crise aberta pelo escândalo financeiro do Banco Master, uma pergunta passou a dominar as conversas entre executivos e reguladores do sistema financeiro: quem vai ocupar a cadeira de diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central do Brasil, vaga desde 31 de dezembro?

Em circunstâncias normais, esse é um cargo técnico, que costuma passar longe dos holofotes do mercado. Desta vez, porém, o contexto é outro.

Os riscos associados à apuração da maior crise bancária da história recente do país transformaram a escolha em um ponto sensível — e politicamente delicado.

Foi o então diretor Renato Gomes quem barrou a venda do Master e decretou a liquidação do banco. A decisão desencadeou uma sequência de ataques que começou em órgãos do próprio Estado e ganhou escala nas redes sociais.

“Com esse tipo de ataque vindo do Tribunal de Contas da União e a ausência de uma defesa clara do Banco Central por parte do governo, fica muito mais difícil atrair um nome forte para essa cadeira”, afirma um ex-diretor do BC.

Segundo ele, essa preocupação ajuda a explicar por que, hoje, a sucessão de Renato Gomes provoca mais ansiedade no mercado do que a escolha do novo diretor de Política Monetária — tradicionalmente vista como a posição mais estratégica, por envolver a condução dos juros e do câmbio.

O processo de busca para as duas vagas já começou. No caso da diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, a aposta é em solução interna, com a promoção de um técnico de carreira do próprio Banco Central.

Já para a diretoria de Política Monetária, deixada por Diogo Guillen em dezembro, ao menos dois nomes foram sondados: Tiago Cavalcanti, professor e membro do Trinity College da Universidade de Cambridge, e Thiago Ferreira, pesquisador do Federal Reserve.

O perfil de Ferreira no LinkedIn, no entanto, indica que ele acaba de assumir uma nova posição na gestora americana Vanguard, o que sugere que seu nome já não está mais no páreo.

Não há prazo formal para o anúncio das indicações. Ainda assim, o mercado demonstra impaciência. Técnicos do Banco Central seguem mapeando candidatos, mas todos sabem que a decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Até agora, porém, o Planalto não deu sinais claros sobre quais critérios — ou prioridades — vão orientar essas escolhas.

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