Luísa Martins
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Luísa Martins

Em Brasília, atua há oito anos na cobertura do Poder Judiciário. Natural de Pelotas (RS), venceu o Prêmio Esso em 2015 e o Prêmio Comunique-se em 2021. Passou pelos jornais Zero Hora, Estadão e Valor Econômico

Análise: "Terceira via" prega voto útil durante debate em Porto Alegre

Em terceiro lugar nas pesquisas, Juliana Brizola (PDT) repetiu que tem mais chances de vencer Sebastião Melo (MDB) do que Maria do Rosário (PT)

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Em Porto Alegre (RS), o último debate antes do primeiro turno, promovido pela TV Globo na noite desta quinta-feira (3), foi marcado pelos constantes apelos da candidata Juliana Brizola (PDT) pelo chamado voto útil.

A candidata repetiu pelo menos cinco vezes que, segundo pesquisas de opinião, é a única capaz de, no segundo turno, derrotar o atual prefeito, Sebastião Melo (MDB) — cuja atuação no combate às cheias ela considera negligente.

Juliana — que está em terceiro lugar nas pesquisas e se coloca como a terceira via na disputa pela prefeitura da capital gaúcha — busca captar pelo menos parte dos votos de Maria do Rosário (PT), que polariza com Melo em 2024.

Ela reclamou que ambos, quando podiam optar a quem dirigir suas perguntas, escolhiam-se mutuamente, isolando-a do debate. "Querem continuar a política do ódio, que faz com que a cidade ande para trás. Nenhum tem razão", disse.

Como ocorreu em outros debates ao longo da campanha eleitoral, o tema dos alagamentos foi predominante — especialmente depois que as chuvas voltaram a atingir Porto Alegre nos últimos dias, relembrando a catástrofe climática de maio.

Nesse ponto específico, Maria e Juliana "jogaram juntas" para criticar a gestão de Melo. Ambas citaram que o atual prefeito ignorou os alertas técnicos, promoveu um desmonte das estruturas públicas e não assumiu as suas próprias responsabilidades.

Melo disse que a "chuva de acusações não é legal na política" e atribuiu parte da tragédia climática a descaso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Não veio nenhum centavo", disse. O governo federal, porém, destinou, sim, verba ao Rio Grande do Sul.

O debate também passou por assuntos como saúde, transporte público, moradia, sustentabilidade e geração de emprego e renda. O bloco destinado a explorar esses temas teve um tom mais propositivo por parte das três campanhas.

Maria do Rosário propôs um "plano desenvolvimentista", com foco no apoio aos microempreendedores. Já Melo, na área do transporte, se comprometeu em ampliar a frota elétrica dos ônibus. Juliana, por exemplo, prometeu acabar com as filas nos hospitais em seis meses.

Apesar das alfinetadas e críticas típicas do período que antecede o primeiro turno, não houve baixaria nem discussões mais acaloradas que pudessem resvalar para o desrespeito.

Ao longo de uma hora e meia, foi feito apenas um pedido de direito de resposta: partiu da candidata petista, depois que Melo disse que ela "torcia pela chuva". A produção da TV Globo, no entanto, negou a solicitação.