Análise: Ao radicalizar discurso, Tarcísio derruba ponte com STF
Ministros da Corte lamentam que governador tenha abandonado perfil moderado
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já havia surpreendido ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em março, ao sugerir - de cima de um palanque e ladeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) - que o Poder Judiciário agia politicamente para prejudicar seu aliado político.
Por isso, o tom anti-STF adotado neste domingo, durante os atos de 7 de Setembro, não foi capaz de deixar os ministros exatamente pasmos. O sentimento dos magistrados vem mais na linha de um lamento, diante da constatação de que o governador teria abandonado de vez o perfil moderado pelo qual chegou a ser reconhecido.
Até o início do ano, Tarcísio era considerado uma “ponte possível” entre a direita e o Supremo. Após anos de desgastes com Bolsonaro, que durante o mandato tinha no STF um alvo constante de ataques, a abertura do governador ao diálogo era celebrada nos bastidores da Corte.
À CNN, uma fonte da cúpula do Supremo avalia que agora a ponte está bamba e prestes a cair, com o governador passando a encampar expressões típicas do bolsonarismo - como “ditadura da toga”, “tirania” e “anistia ampla, geral e irrestrita” a Bolsonaro.
Um magistrado também disse que o Tarcísio que discursa nos palanques com vistas à eleição de 2026 não é o mesmo que, poucos meses atrás, demonstrava respeito à Corte ao ser cobrado sobre a implementação das câmeras corporais nos uniformes da PM (Polícia Militar).
Nem o mesmo que, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no lançamento do edital do túnel Santos-Guarujá, em fevereiro, disse que era preciso deixar a disputa política de lado para priorizar os cidadãos - uma fala considerada por ministros do STF como um exemplo da busca por pacificação.



