Desvio de cotas: PF mirava deputados há mais de um ano
Sóstenes e Jordy foram alvos de operação da PF nesta sexta-feira
O envolvimento dos deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy (PL-RJ) em desvios de cotas parlamentares já era uma suspeita da PF (Polícia Federal) há mais de um ano, segundo fontes da investigação.
A PF chegou a pedir que eles fossem alvos da Operação “Rent a Car”, deflagrada exatamente um ano atrás, mas o aval do STF (Supremo Tribunal Federal) acabou se limitando aos assessores dos congressistas.
Naquele momento, a avaliação do ministro Flávio Dino, com lastro em parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República), foi de que não havia indícios suficientemente fortes de que Sóstenes e Jordy tivessem conhecimento das atividades ilícitas.
O material apreendido com os assessores naquela ocasião foi examinado pela corporação ao longo de 2025 e “turbinou” as evidências em relação à participação dos deputados no esquema criminoso.
Com as novas provas em mãos, a PF voltou a pedir autorização ao ministro Flávio Dino para realizar buscas contra os deputados. Desta vez, o relator concordou com a medida, autorizando uma nova operação.
A suspeita é de que eles tenham desviado recursos das cotas por meio de um conluio com empresários. A verba pública era destinada a empresas de fachada, simulando a contratação de serviços que nunca eram efetivamente prestados.
Ao longo da investigação, foram identificadas sucessivas transferências de pequenos valores em dinheiro, uma prática considerada “clássica” para driblar os órgãos de fiscalização.
De acordo com a PF, estão em apuração os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os deputados, que já negavam irregularidades um ano atrás, mantêm a posição.



