Luísa Martins
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Luísa Martins

Em Brasília, atua há oito anos na cobertura do Poder Judiciário. Natural de Pelotas (RS), venceu o Prêmio Esso em 2015 e o Prêmio Comunique-se em 2021. Passou pelos jornais Zero Hora, Estadão e Valor Econômico

Justiça intima União a se manifestar sobre destinação de novos recursos ao RS

Ação pede que fundos que totalizam R$ 2 bilhões sejam enviados como complemento ao enfrentamento das enchentes

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A Justiça Federal do Rio Grande do Sul pediu que a União se manifeste sobre a possibilidade de destinar ao Estado gaúcho recursos de dois fundos públicos que totalizam mais de R$ 2 bilhões.

O despacho é assinado pelo juiz Rodrigo Coutinho, em resposta a uma ação civil pública movida por entidades representativas como o Instituto de Direito e Economia do RS (Iders) e a Associação de Microempresas de Porto Alegre (Amicropoa).

Estão no centro do processo a liberação de verbas do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), que tem cerca de R$ 550 milhões, e do Fundo de Compensação Ambiental (FCA), que soma R$ 1,5 bilhão. Ambos são geridos pelo governo federal.

O primeiro reúne os depósitos das multas judiciais e administrativas pagas por quem viola direitos coletivos. Por lei, essas indenizações são destinadas a reparar, por exemplo, danos ao meio ambiente e a bens históricos, turísticos e paisagísticos.

Já o FCA - que tem origem em um convênio firmado entre a Caixa Econômica Federal e o Ibama - é composto de pagamentos feitos por empresas a título de compensação, quando seus empreendimentos são potencialmente lesivos ao meio-ambiente.

A ação pede que o governo federal e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) sejam obrigados a destinar os saldos de ambos os fundos a projetos gaúchos.

Segundo a petição, embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha anunciado uma série de medidas de apoio ao Rio Grande do Sul, ainda persiste “a omissão da União em efetivamente reparar os prejuízos”.

A ideia é de que os recursos sejam usados para fomento às micro e pequenas empresas, para auxiliar cidadãos de baixa renda e contornar os danos causados pelas cheias ao meio-ambiente.