Luísa Martins
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Luísa Martins

Em Brasília, atua há oito anos na cobertura do Poder Judiciário. Natural de Pelotas (RS), venceu o Prêmio Esso em 2015 e o Prêmio Comunique-se em 2021. Passou pelos jornais Zero Hora, Estadão e Valor Econômico

PF: Bolsonaro e Braga Netto driblaram proibição de contato em menos de 24 h

Com celular apreendido, general enviou mensagem ao ex-presidente de outro número

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o general Walter Braga Netto, candidato a vice-presidente da República em 2022, teriam driblado a proibição de manter contato menos de 24 horas depois de a medida ser imposta pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

A informação consta no relatório da PF (Polícia Federal) que indiciou o ex-presidente e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) devido à atuação do parlamentar nos Estados Unidos.

Braga Netto teve o aparelho de celular apreendido em 8 de fevereiro do ano passado, mesma data em que Bolsonaro precisou entregar o passaporte. Ambos foram alvos de operação da PF na investigação sobre o plano de golpe.

Desde então, ambos estavam, em tese, proibidos de conversar. Mas a PF afirma que, no dia seguinte, Braga Netto enviou a Bolsonaro mensagem de um número diferente.

“Estou com este número pré-pago para qualquer emergência. Não tem zap. Somente face time. Abs Braga Netto (sic)", dizia a mensagem enviada pelo general ao ex-presidente.

Segundo a PF, a chave Pix vinculada ao novo número estava vinculada ao nome de Braga Netto. O relatório não menciona, entretanto, se Bolsonaro respondeu à mensagem.

Para a corporação, entretanto, a mensagem "corroborado a hipótese de que os réus descumpriram as medidas cautelares de proibição de manter contato durante a investigação".

A PF diz que isso indica "total desprezo e alienação quanto ao caráter vinculante das decisões emanadas pela Suprema Corte, o que agrava a ilicitude das condutas dos réus".

Braga Netto está preso preventivamente desde dezembro por tentativa de obstruir as investigações sobre a trama golpista. Já Bolsonaro está em prisão domiciliar, por
descumprir a ordem de proibição de uso das redes sociais.