As inovações que surgem em tempos de guerra
Não é ficar feliz com o fato de cada conflito representar um avanço científico; mas questionar porque a humanidade ainda investe tanto em máquinas de matar
Para um profissional que lida com a imagem, a realidade virtual foi a invenção que mudou o jeito com que a gente trabalha. No cinema, veio a possibilidade de criar cenários épicos, das maiores dimensões possíveis, para contar qualquer história - a um custo baixíssimo. No Jornalismo da TV, podemos colocar um avião gigante no estúdio para explicar o funcionamento de uma turbina ou a aerodinâmica que age nas asas. De forma simples. E tanta simplicidade nasceu para ajudar no treinamento de pilotos de guerra.
E isso se repete a cada guerra, a cada conflito. Os investimentos feitos para facilitar a vida de quem está nos campos de batalha acaba sendo usado depois em benefício de toda a humanidade. Sei que a palavra "benefício" deve ser equilibrada nessas condições, mas os avanços são inegáveis.
E longe de serem representados sempre por equipamentos tecnológicos revolucionários. O forno de microondas foi desenvolvido a partir de uma tentativa de melhorar o alcance dos radares. Para buscar inimigos mais distantes, as pesquisas em laboratório acabaram derretendo a barra de doce de amendoim que um cientista guardava no bolso.
A super cola também veio de uma empresa contratada pelo exército americano. A internet e o GPS também surgiram a partir de usos militares. O site da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), entre tantas tensões que o mundo vive, reserva um espaço para trazer uma lista de invenções e inovações que surgiram com guerras. Talvez seja para justificar os bilhões de dólares investidos a cada ano. Mas isso é impossível.
A gente usa os avanços, mas nada de bom pode sair de tantas vidas perdidas. Da tensão de um combate. De marcar as vidas de crianças que perdem seus pais. Se o virtual surgiu para "enganar os olhos", a gente descobre que por mais perfeito que seja, sempre vamos acordar no mundo real.



