Mari Palma
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Mari Palma

Sou jornalista, com pós em moda, neurociência e comportamento. Também sou embaixadora da Marvel, fã de Friends e Beatles, 4 vezes tia e mãe de cachorro

A celebração das mulheres - em qualquer idade

Ver atrizes com mais de 50 anos vitoriosas no palco do Globo de Ouro foi revolucionário em um mercado que coloca prazo de validade nas mulheres

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“Em um dos momentos em que pensei não ser inteligente, bonita, magra e bem-sucedida o suficiente, uma mulher me disse: nunca seremos suficientes, mas você só pode enxergar seu valor se parar de se medir com essa régua”. Esse foi um trecho do discurso da Demi Moore, depois de ganhar um Globo de Ouro no último domingo (5), pela atuação no filme “A Substância” - o primeiro prêmio de uma carreira de mais de 45 anos.

Ainda no discurso, ela disse que, há 30 anos, ouviu de um produtor que era uma “atriz de pipoca” e, por isso, achou que nunca seria reconhecida. Que ela já tinha feito tudo que deveria fazer. Até o momento em que ela recebeu o roteiro do filme e foi como se o universo dissesse: “você ainda não terminou”. Ainda tinha muito pra acontecer. E que bom que aconteceu. Aos 62 anos de idade, ela subiu no palco de uma das principais premiações do cinema pra receber o prêmio de Melhor Atriz.

E não só ela. Muitas atrizes que estavam ali, vencedoras ou indicadas, são da mesma geração: Angelina Jolie, Tilda Swinton, Nicole Kidman, Kate Winslet, Jodie Foster, Jean Smart, Pamela Anderson e claro, Fernanda Torres. Todas desenvolveram suas carreiras em uma época em que era ainda mais comum sexualizar e estereotipar mulheres. E mais do que isso: colocar um prazo de validade nelas. A famosa cultura hollywoodiana que exclui atrizes depois dos 35/40 anos.

Felizmente muita coisa mudou de lá pra cá - ainda longe do ideal, é bom dizer - mas o suficiente pra gente ter momentos importantes como os que aconteceram no Globo de Ouro. Mulheres experientes, maduras e fortes sendo reconhecidas mundialmente pelos seus trabalhos, torcendo e celebrando a vitória umas das outras. Grandes “forças da natureza”, como bem disse a maravilhosa Viola Davis no seu texto de apresentação.

Foi uma noite histórica por vários motivos. Claro que o prêmio da Fernanda foi o ponto alto pra gente, mas eu fiquei ainda mais feliz de ver que isso aconteceu em uma noite em que muitas outras mulheres também foram celebradas. Um momento revolucionário que grita pro mundo que elas ainda não pararam. E não vão parar. Nem elas, nem as que vierem depois. A gente vai continuar brigando por esse lugar no palco. Umas pelas outras.

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