Ator Vinícius de Oliveira lembra aperto que passou na imigração dos EUA
Ao Na Palma da Mari, o ator precisou dizer que já havia ido aos EUA para a cerimônia do Oscar para ser liberado pela imigração do país

Vinícius de Oliveira e Alessandra Negrini estrelam juntos o filme "Quase Deserto", que estreia nesta quinta-feira (27), e contaram ao Na Palma da Mari a importância da produção trazer à tona um assunto muito atual: a imigração ilegal nos Estados Unidos.
"Esse filme fala de fronteiras mesmo, de um lugar que você não sabe o que é. 'Que lugar é esse onde eu estou?', que é a situação do imigrante. Você está indo atrás de um sonho, e o sonho não vem bem como você achava", explica Negrini. "Essas pessoas todas foram atrás de uma vida melhor".
Mas, sem querer, Vinicius de Oliveira viveu um "laboratório" da vida de seu personagem, já que passou por um aperto real na imigração. Ao tentar entrar nos EUA, ele foi levado para a temida "salinha" e submetido a um interrogatório agressivo.
"O cara me xingou, falou que eu era mentiroso", recordou o ator. "E eu só não voltei para o Brasil porque, uma hora, eu falei: 'meu amigo, eu já estive aqui, quando era moleque, num filme...'. Ele falou: 'você é mentiroso'. Eu falei: 'não, eu não sou mentiroso. Se você quiser dar um Google você vai ver... eu estive aí no Oscar'".
A menção à sua ida à cerimônia do Oscar de 1999 com "Central do Brasil", que foi indicado a Melhor Filme Estrangeiro, não o poupou de ter a mala revistada e não melhorou muito o tratamento que recebeu. Mas, no fim das contas, ele foi liberado.
"É a situação que a galera passa. Uma falta de humanidade, uma falta de olhar para o outro", lamenta.
A trama de "Quase Deserto" se passa em Detroit, nos EUA, no pós-pandemia. O filme acompanha o brasileiro Luís (Vinicius de Oliveira) e o argentino Benjamín (Daniel Hendler), que vivem ilegalmente nos EUA sendo perseguidos pelo ICE (Agência de Imigração e Alfândega). A trama se desenrola quando eles resgatam sem querer Ava (Angela Sarafyan, de "Westworld"), a única testemunha de um crime, uma mulher com uma síndrome rara que lhe dá uma percepção além do comum.
Importância do cinema nacional
O papo também trouxe reflexões sobre o impacto do Oscar de "Ainda Estou Aqui" no cinema brasileiro. Para Alessandra Negrini, não é só sobre o prêmio, mas o assunto que a produção tratava ao contar a história real de uma família que sofreu uma grande perda durante a Ditadura Militar.
"São várias camadas de importância. O filme, o que ele tratava, onde o filme chegou, o trabalho da Fernandinha, e também falar o quanto o cinema nacional é importante", afirma.
A atriz refletiu sobre como a narrativa do cinema pode ser o espelho em que a sociedade pode se enxergar e ver as próprias contradições.
"A novela também faz isso, mas é diferente. A narrativa do cinema é outra, ela vai mostrar mais a questão da contradição, é um espelho que você tem que usar mais o pensamento para se entender", afirma.
Na Palma da Mari
Alessandra Negrini e Vinícius de Olveira contaram mais bastidores sobre "Quase Deserto". Confira o papo completo:



