Mariana Janjácomo
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Mariana Janjácomo

Correspondente em Washington, Mariana Janjácomo é mestre em jornalismo pela New York University e morou por cinco anos em Nova York antes de se mudar para a capital americana e acompanhar de perto todas as movimentações do governo federal.

Em evento na OEA, embaixadora nos EUA critica situação com o Brasil

Maria Luiza Viotti afirmou que “apesar de medidas injustificadas, Brasil continua comprometido a participar da agenda comercial e econômica”

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Em discurso na recepção em comemoração à Independência do Brasil nesta sexta-feira (5) em Washington, a embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, reconheceu a crise entre os países.

“Por mais de dois séculos, Brasil e EUA tiveram uma relação com base no respeito mútuo, valores em comum e um comprometimento com valores democráticos. (…) A atual situação, portanto, é um contraste nítido com a história e a qualidade das relações entre os dois países”, afirmou.

Mais adiante na fala, Viotti declarou que “apesar das medidas injustificadas impostas contra nós, o Brasil continua comprometido a participar da agenda comercial e econômica”.

A embaixadora ainda destacou o superávit comercial dos Estados Unidos em relação ao Brasil e disse que a busca por soluções será baseada em fatos. O evento aconteceu na sede da OEA (Organização dos Estados Americanos) em Washington.

Leia o discurso na íntegra:

"Boa tarde, senhoras e senhores, excelências,

Estimado Cônsul-Geral do Brasil em Washington, Embaixador Sérgio Bath,

Estimado Representante Permanente do Brasil junto à Organização dos Estados Americanos, Embaixador Benoni Belli,

Amigos do Brasil, caros colegas, meus compatriotas, Brasileiras e brasileiros,

É uma honra e um prazer recebê-los para celebrarmos o Dia da Independência do Brasil — um momento para marcar nossa independência, refletir sobre a trajetória de nossa nação e sobre as parcerias que construímos ao longo do caminho.

Hoje podemos nos orgulhar e nos alegrar com o fato de que o Brasil vive agora o mais longo período de democracia ininterrupta e de plenos direitos civis de toda a sua história republicana, graças à resiliência de suas instituições, em especial de um Judiciário independente

Também é encorajador ver que o Brasil está novamente em um caminho de crescimento econômico resiliente, bem acima das expectativas, e que a expansão do mercado de trabalho e políticas sociais eficazes estão contribuindo para reduzir a pobreza e a desigualdade.

Reformas e marcos legais recentemente aprovados também estão colaborando para um ambiente de negócios mais favorável.

Muitos desafios, naturalmente, ainda permanecem, mas a direção tem sido consistente com uma trajetória de crescimento sustentável e inclusivo, impulsionado por investimentos em transição energética e infraestrutura, inclusive digital.

O Brasil continua comprometido em alcançar desmatamento ilegal zero até 2030. Contamos com um ambicioso Plano de Transformação Ecológica (PTE) para promover um desenvolvimento inclusivo e sustentável ao mesmo tempo em que combatemos as mudanças climáticas.

Ao sediar a COP30 em Belém, no próximo mês de novembro, queremos demonstrar compromisso não apenas com a luta contra as mudanças climáticas, mas também com a promoção de oportunidades na economia verde que melhorem a vida das pessoas.

Em toda a nossa trajetória recente, fortalecemos e diversificamos parcerias, ampliamos comércio e investimentos e aprofundamos a cooperação com países em todo o mundo.
Uma das mais duradouras dessas parcerias é com os Estados Unidos.

Há mais de dois séculos, Brasil e Estados Unidos desfrutam de uma relação enraizada no respeito mútuo, em valores comuns e no compromisso com princípios democráticos.
De fato, somos hoje as duas maiores democracias — e economias — do Hemisfério Ocidental.

Estivemos lado a lado em momentos de grandes transformações globais, trabalhamos juntos para promover paz e prosperidade e colaboramos em áreas tão diversas quanto agricultura, energia, educação, saúde, ciência, tecnologia e defesa.

Naturalmente, como em qualquer relação duradoura, também enfrentamos diferenças — o que é natural e esperado.

O que importa é a nossa capacidade de manter o diálogo, preservar canais abertos e focar nas muitas convergências que dão sustentação a uma parceria produtiva e de longa data.

A situação atual, portanto, contrasta fortemente com a história e a qualidade das relações entre Brasil e Estados Unidos.
Apesar das medidas injustificadas que nos foram impostas, o Brasil continua comprometido em participar da agenda comercial e econômica.

Seguiremos empenhados no diálogo e na busca por soluções mutuamente acordadas nesses temas, mas o faremos com base em fatos — que demonstram uma relação comercial com benefícios significativos para os Estados Unidos, que têm registrado, de forma consistente, um expressivo superávit comercial em relação ao Brasil.

Sabemos que os Estados Unidos reconhecem a importância de um Brasil forte, democrático e próspero — assim como nós vemos os Estados Unidos como um parceiro indispensável para o nosso desenvolvimento nacional e para a nossa inserção internacional.

Hoje, ao erguermos um brinde para celebrar a independência do Brasil, também brindamos à amizade entre nossas duas nações — testada pelo tempo, fortalecida por interesses compartilhados e sempre guiada por valores comuns e pela esperança de um futuro melhor."