Matheus Teixeira
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Matheus Teixeira

Especializado na cobertura dos Três Poderes, é repórter há 15 anos, com passagens por Folha de São Paulo, Correio Braziliense, JOTA, Conjur e Revista Exame.

Vorcaro falou em simular assalto para “dar um pau” em jornalista, diz PF

O banqueiro tinha um grupo para intimidar adversários e cogitou simular assalto para “quebrar os dentes” de um jornalista

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A Polícia Federal identificou mensagens no celular de Daniel Vorcaro em que o banqueiro cogita simular um assalto para “dar um pau” e “quebrar todos os dentes” de um jornalista que teria publicado reportagens contra seu interesse.

A informação está na decisão em que André Mendonça determina a prisão de Vorcaro.

Em relatório compartilhado com o STF (Supremo Tribunal Federal) e divulgado nesta quarta-feira (4), o nome do profissional aparece tarjado. A CNN apurou que se trata do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Em nota, o jornal repudiou os achados dos investigadores e informou que sua equipe continuará acompanhando o caso.

"O GLOBO repudia veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país. A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava 'calar a voz da imprensa', pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O GLOBO e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público", escreveu a publicação.

No despacho, o ministro afirma que o dono do Banco Master monitorava adversários e acessava informações de maneira ilegal perante órgãos públicos e de investigação.

“A partir de todos esses diálogos, verifica-se a presença de fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista em questão e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”, diz a decisão.

O magistrado aponta que Luiz Phillipi Mourão era o coordenador operacional do grupo denominado “a turma”, que realizava “atividades de vigilância, coleta de informações e monitoramento de indivíduos considerados adversários do grupo”.

Mendonça diz que há fortes indícios de que Mourão recebia R$ 1 milhão por mês para prestar o serviço e que o pagamento era feito por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

Era ele o responsável por executar medidas destinadas à “identificação, localização e acompanhamento de pessoas que mantinham relação com investigação ou críticas” ao Master.

Eles teriam acessado dados da Polícia Federal, Ministério Público Federal, FBI e Interpol por meio do uso de credenciais funcionais de terceiros.

Mourão também atuava para intimidar antigos funcionários do Master e por levantar dados sobre essas pessoas.

O que diz a defesa de Vorcaro

Em nota, a defesa de Vorcaro negou as acusações contra o banqueiro e afirmou que confia no esclarecimento dos fatos. Veja a íntegra:

A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.

A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta.

Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.