Quem se deu bem e quem se deu mal no sorteio da Libertadores?
Veja análise dos grupos dos brasileiros no torneio continental

O sorteio dos grupos da Libertadores trouxe notícia preocupante para os sete brasileiros na disputa: as bolinhas sorriram para o rival mais perigoso, o argentino River Plate.
Único time capaz de encarar o poder econômico e futebolístico dos brasileiros na atualidade — o Boca Juniors está na Copa Sul-Americana —, o River caiu no Grupo H e não terá nem grandes rivais e nem deslocamentos difíceis. O Nacional uruguaio é um clube de muita história, mas presente de coadjuvante. O Libertad é o líder do Campeonato Paraguaio, mas não assusta. O Deportivo Táchira talvez incomode mais pela logística e caso o conflito ideológico entre Argentina e Venezuela saia do campo diplomático para o esportivo.
Por que a preocupação com o River deve ser tão grande?
Além do poderio econômico, do bom time e de liderar o Grupo A do Campeonato Argentino, a final da Libertadores de 2024 será em Buenos Aires, provavelmente na casa do River, o remodelado Monumental de Nuñez. Uma grande reforma aumentou a capacidade para 84 mil torcedores e transformou o estádio numa panela de pressão para os adversários, com a aproximação das arquibancadas ao campo.
O que se pode esperar de cada grupo dos sete brasileiros na Libertadores?
Fluminense: Está no Grupo A, teoricamente tranquilo. Cerro Porteño e Colo-Colo são times tradicionais no Paraguai e no Chile, mas não vivem grandes fases. O Alianza Lima está mal no fraquíssimo Campeonato Peruano. Flu tem tudo para passar em primeiro.
São Paulo: O Grupo B tem mais desafios logísticos que futebolísticos. Viajar a Guayaquil para enfrentar o Barcelona e, principalmente, ir ao deserto do Atacama para jogar com o Cobresal, no meio do nada. O estádio El Cobre fica na cidade de El Salvador, que é um acampamento de mineiros de cobre a 2,3 mil metros de altitude. O Talleres de Córdoba, da Argentina, que completa o grupo, está bem no torneio nacional e pode dar trabalho. Tricolor paulista tem boa chance de passar em primeiro.
Grêmio: Embora não tenha grandes rivais, o Grupo C tem o The Strongest e a altitude de La Paz, que geralmente cria problemas. O Estudiantes está em terceiro no Grupo B do Campeonato Argentino, e o Huachipato não começou bem no Chileno. A força do Grêmio na Arena tem tudo para levar o time adiante em primeiro.
Botafogo: O Grupo D pode ser traiçoeiro para o time brasileiro, que garantiu a última vaga na fase de grupos. O Botafogo enfrentará longas viagens. A disputa tende a ser com a LDU, do Equador, mas Universitário, líder do Campeonato Peruano, e Júnior Barranquilla, quinto na Colômbia, podem dar trabalho. Alerta máximo! Qualquer vacilo pode dificultar a caminhada botafoguense. É mandatório fazer nove pontos em casa.
Flamengo: O pesadelo logístico foi lamentado pelo presidente do clube, Rodolfo Landim. Planejamento será fundamental para sustentar a qualidade do time. Duas viagens longas para jogos na altitude: Bolívar, o melhor time boliviano, em La Paz, e Millonarios, mal no Colombiano, em Bogotá. O Palestino, quinto no Chile atualmente, não assusta. Gestão de elenco será fundamental, principalmente pelas finais do Carioca no meio do caminho. Ainda assim, o Flamengo é muito favorito.
Palmeiras: Na teoria, o Grupo F é o que sugere mais atenção. Caso chegue à decisão do Estadual, o Palmeiras enfrentará o dilema da logística, como o Flamengo. O adversário mais forte é o Independiente Del Valle, que impõe uma longa viagem a Quito. O San Lorenzo faz campanha ruim no Grupo B do Campeonato Argentino, e o Liverpool uruguaio de assustador só tem o nome do xará inglês. Chave para o Verdão confirmar o favoritismo é ter o Allianz de volta e não vacilar contra o San Lorenzo.
Atlético-MG: O Grupo G tende a ser tranquilo se o Galo melhorar o futebol apresentado. O Peñarol lidera o Campeonato Uruguaio e deve disputar a liderança com o time mineiro. O Rosario Central tem torcida apaixonada e estádio caldeirão, mas cumpre campanha morna na Argentina. A logística é o principal inimigo no caso do Caracas venezuelano. Arena MRV precisa inspirar uma nova versão do Galo Doido.



