Patricia Ellen
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Patricia Ellen

Analista especial da COP30 da CNN Brasil, empreendedora da economia verde e especialista em soluções baseadas na natureza

COP30: BRICS vs Trump - a guerra comercial onde todos perdem.

Ao invés de fortalecer cadeias globais sustentáveis, estamos diante de uma fragmentação comercial que cria cadeias de valor quebradas.

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Nesta semana, o bloco do BRICS deu mais um passo para fortalecer a cooperação Sul-Sul. A Carta dos Líderes do BRICS reforça compromissos fundamentais para uma sociedade pautada pelas questões climáticas, pelo fortalecimento de cadeias produtivas regionais de alto valor agregado e mais estabilidade para países emergentes.
A Carta dos Líderes do BRICS e a COP30
A carta publicada destaca pontos positivos importantes com relação ao temas prioritários para a COP30:
- Reconhecimento das responsabilidades históricas dos grandes emissores
- Compromisso com a proteção climática como base do desenvolvimento sustentável
- Ênfase na criação de corredores comerciais e tecnológicos entre países do Sul Global
- Fortalecimento do financiamento climático, em especial para investimentos em adaptação
- ⁠Compromisso de uma nova carta dos membros do BRICS será preparada para a COP30
Falta, entretanto, robustez prática, dado que a carta não traz metas vinculantes, cronograma de ação, mecanismo de monitoramento e nem compromissos de transição energética ambiciosa. Ainda assim, foi um notável avanço trazer o clima, os desafios da adaptação e as desigualdades regionais históricas para o centro do debate e da prioridade de ação.
O outro lado da moeda: as cartas de Trump e o efeito do tarifaço nas cadeias globais de um mundo partido

Na mesma semana em que o BRICS avança com integração e fortalecimento da cooperação política e comercial Sul‑Sul, o ex-presidente Trump anunciou a imposição de tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros, com vigência a partir de agosto de 2025.

Medidas similares, ainda que de menor intensidade, foram aplicadas contra outros países integrantes do BRICS como China, Índia e África do Sul, com tarifas variando entre 20% e 30% em diversos produtos  .
Destaco alguns dos efeitos extremamente noviços destas tarifas que impactarão, não os políticos, mas os bolsos e as vidas dos empreendedores e da população:
• Suco de laranja: 41,7% das exportações brasileiras vão para os EUA; o novo imposto prejudica diretamente a cadeia produtiva brasileira e o custo do produto em solo americano.
• Carne bovina: os EUA compram 21% da carne exportada pelo Brasil; o encarecimento afeta frigoríficos e consumidores.
• Café e sucos: sensível ao aumento tarifário, com impacto direto na inflação do café da manhã americano.
• Aeronaves (Embraer): 63% das exportações são destinadas aos EUA; setor pode ser duramente impactado.
• Madeira, eletrônicos e máquinas: entre 40% e 60% das exportações dependem do mercado americano.
Cadeias produtivas globais quebradas vs. corredores verdes
Essa ofensiva tarifária ignora o contexto climático. Em vez de fortalecer cadeias globais sustentáveis (os chamados green corridors), estamos diante de uma fragmentação comercial que cria “broken value chains”, aumentando riscos alimentares, energéticos e climáticos.
Precisamos de cadeias resilientes, com cooperação, tecnologia limpa e compromisso climático; não barreiras e retaliações.
Em um contexto onde a disputa ideológica domina o debate público, falar de ciência já não condiz com a realidade. Mas se queremos preservar nossa permanência neste planeta e prosperar no cenário global, é hora de levar os debates de comércio para as mesas climáticas e reforçar os investimentos em corredores verdes, infraestrutura logística integrada e comércio alinhado com a transição para uma economia de baixo carbono.

A Carta do BRICS já desbrava esse caminho. Agora é a vez de transformar palavras em resultados reais, idealmente na COP30, antes que cadeias produtivas vitais sejam irremediavelmente destruídas.

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