COP30: Comunidades se beneficiam da bioeconomia e ancestralidade
Relatório sobre 'bioeconomia do conhecimento' será lançado na São Paulo Climate Week e forma um 'mutirão' nacional de preparação para a COP30 em Belém
Na minha conversa mais recente com o Márcio Gomes no CNN Prime Time, tive a chance de compartilhar um pouco sobre uma jornada marcante pela Amazônia, que me inspirou profundamente.
Passei pelo Alto Xingu, onde presenciei o ritual do Kuarup; e depois por Belterra, uma região que um dia foi a capital da borracha de Henry Ford e hoje se reposiciona como um símbolo da bioeconomia.
Essa viagem me mostrou um Brasil que está em plena transição. Em Belterra, a Revolução Industrial do passado está dando lugar a uma "Revolução Verde", impulsionada pela inovação e pelo conhecimento ancestral.
Amazônia: Tecnologia Viva e o Futuro da Bioeconomia
A jornada começou no Xingu, onde vivenciei o Kuarup, um ritual de despedida e renascimento dos povos Kamaiurá e de outras cinco etnias. Lá, presenciei a força de uma tradição que resgata a sabedoria ancestral.
O que mais me impressionou foi ver que a nova geração de indígenas não apenas preserva essa herança, mas também se torna profissionais da saúde e da educação, estudando e mantendo viva essa inteligência ancestral.
Para que vocês sintam um pouco da força e da emoção que vivenciei no Kuarup, compartilho aqui um vídeo que gravei no Alto Xingu. Veja abaixo:
Em seguida, em Belterra, participei de dois lançamentos muito importantes:
- O Museu de Ciência da Amazônia (MUCA): Um centro de pesquisa, cultura e tecnologia que funcionará em plena floresta, promovendo o diálogo entre a ciência e os saberes ancestrais;
- O OcaHub: A primeira incubadora de bioeconomia amazônica, que já está apoiando dez negócios locais promissores nas áreas de biosaúde, alimentos e materiais regenerativos.
Muitos desses negócios são liderados por mulheres, jovens e indígenas, mas, como me disse um dos empreendedores locais: "O que temos aqui não é só floresta. É tecnologia viva, que precisa ser reconhecida e financiada." Essa frase resume a urgência de apoiar esses projetos para que a bioeconomia possa, de fato, se tornar uma fonte de prosperidade.
O Potencial da Bioeconomia do Conhecimento: De Extrativismo a Valor Agregado
Essa mesma discussão sobre o futuro da bioeconomia será o tema central de um importante lançamento aqui em São Paulo. Na próxima quarta-feira (6), no Cubo Itaú, será apresentado o relatório "O Potencial do Brasil na Bioeconomia do Conhecimento".
Esse estudo, uma iniciativa de empresas privadas e o Ministério do Meio Ambiente, propõe um novo modelo de desenvolvimento. Ele combina a nossa imensa biodiversidade com ciência, tecnologia e, claro, o conhecimento dos povos tradicionais.
O relatório identifica cinco áreas estratégicas em que o Brasil pode ser líder global:
- Cosméticos naturais com inteligência artificial;
- Farmacêuticos baseados em genômica e ativos da floresta;
- Agro regenerativo e bioinsumos;
- Materiais como bioplásticos e madeira engenheirada;
- Alimentos funcionais e superfoods da nossa biodiversidade.
É a oportunidade de o Brasil trocar o extrativismo de baixo valor por uma bioeconomia sofisticada, que gera empregos, renda e, ao mesmo tempo, respeita a floresta e o conhecimento ancestral.
Mobilização em São Paulo e Rio de Janeiro Rumo à COP30
Essa energia de transformação não está restrita à Amazônia. Estamos vivendo uma fase de intensa mobilização nacional rumo à COP30. Em São Paulo, entre os dias 1 e 8 de agosto, teremos a São Paulo Climate Action Week, com 102 eventos gratuitos, em mais de 30 locais da cidade.
Serão 120 organizações envolvidas, discutindo desde finanças verdes até soluções urbanas. O foco é a Agenda de Ação da COP30, que conecta seis eixos prioritários para a conferência.
E, no final de agosto, o Rio de Janeiro também sedia a sua Climate Week, com um olhar especial para os biomas brasileiros e a governança subnacional.
Essa mobilização é parte do grande "mutirão nacional" convocado pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago. Teremos a abertura oficial da São Paulo Climate Action Week na próxima segunda-feira (4), com a presença de lideranças como a Ana Toni, o High-Level Champion Dan Ioschpe, e o próprio André Corrêa do Lago.
É um convite para que todos participem. A programação completa dos eventos em São Paulo pode ser acessada no site oficial. Essa é a nossa chance de mostrar que estamos prontos para a COP30.




