
Análise: Como as negociações podem avançar na COP30?
Mesmo com impasses em financiamento e adaptação, a agenda de ação avança e mostra caminhos concretos para fechar acordos
O sexto dia da COP30 foi marcado por intensas negociações, mudanças na programação e longas horas de reuniões. Mesmo nesse cenário desafiador, típico das conferências do clima, saio otimista.
Como comentei no CNN Prime Time, a COP é sempre uma mistura de maratona com corrida de velocidade. Os prazos quase nunca se mantêm, posições mudam por estratégia e algumas surpresas surgem no caminho. Mas, ao longo dos anos, aprendi que isso faz parte da dinâmica.
Durante o dia temático das florestas da COP30, celebrado na última segunda-feira (17), vimos avanços importantes. Acompanhei a sessão liderada pelo Ministério da Fazenda no pavilhão do Brasil, que contou com a participação da Noruega, justamente o país que mais se comprometeu financeiramente com o Fundo Florestas para Sempre.
Também tivemos a chegada do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que trouxe um peso político adicional ao dia e lançou a Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial, um marco que posiciona o Brasil como protagonista na economia verde global.
Onde estão os maiores impasses?
O impasse mais sensível no momento é o financiamento climático. Há uma grande distância entre os números anunciados por governos e aquilo que efetivamente chega aos países emergentes, tanto para mitigação quanto para adaptação e resiliência.
A meta de 1,3 trilhão de dólares segue em disputa, não apenas no valor final, mas principalmente na forma de operacionalização.
Outro ponto pendente é o financiamento específico para adaptação. Houve um sinal positivo de triplicar os recursos, mas ainda falta fechar tanto o montante quanto o modelo de implementação.
Boa parte dessa negociação deve ficar para Bonn, a pré-COP, em 2025. Algumas pautas entraram na agenda desta conferência, mas dificilmente se encerram aqui.
A agenda de ação avança
Temos hoje seis grandes eixos temáticos e trinta objetivos que orientam esforços concretos entre governos, empresas, academia, setor financeiro e organizações internacionais.
Desde o início da COP, participei de reuniões que mostraram progresso em temas críticos como financiamento privado, habilidades verdes e empregos, descarbonização industrial e financiamento para florestas.
Na área de energia, participei de reuniões ministeriais que reuniram representantes da Índia e de vários países do Sudeste Asiático, sinalizando colaboração em energia solar e transição energética.
Florestas no centro das discussões
Dan Ioschpe, High-Level Champion, reforçou que florestas são a nossa infraestrutura natural mais estratégica. O Fundo Florestas para Sempre se consolidou como o principal mecanismo global de financiamento de longo prazo para florestas tropicais, com novos compromissos financeiros de países e filantropias.
Além disso, houve avanço no pipeline de projetos na Amazônia, no Congo e no Sudeste Asiático e maior adoção de modelos de pagamento por resultados, que remuneram países tropicais pelos serviços climáticos prestados. Como Dan destacou, proteger florestas é o investimento com maior retorno climático imediato.
Empregos verdes como motor da transição
Outro ponto central do dia foi a discussão sobre empregos verdes. As cadeias produtivas de baixo carbono, como energia limpa, agricultura regenerativa, bioeconomia e mobilidade sustentável, têm potencial para gerar até 28 milhões de novos empregos em países emergentes até 2030.
Especialmente nas cadeias florestais e da bioeconomia, há enorme capacidade de inclusão produtiva, renda local e qualificação profissional, principalmente para jovens.



