Patricia Ellen
Blog
Patricia Ellen

Analista especial da COP30 da CNN Brasil, empreendedora da economia verde e especialista em soluções baseadas na natureza

COP30: Brasil busca mais investimentos na agenda climática

Na Climate Week de Nova York, país anunciou US$ 1 bi para florestas e reforçou papel do setor privado na COP30

Compartilhar matéria

Nesta semana minha participação ao vivo do CNN Prime Time foi direto de Nova York, onde acompanho de perto a Semana do Clima e a Assembleia Geral da ONU.

Foi um momento especial para compartilhar impressões sobre a relevância dessa agenda de enfrentamento as mudanças climáticas e os desdobramentos que ela traz para a COP30, que será realizada em Belém em novembro.

O que vimos por aqui foi uma mobilização sem precedentes. Foram contabilizados entre 700 e mais de 1.000 eventos, reunindo de 50 mil a 200 mil participantes entre líderes globais, chefes de Estado, representantes do setor privado e sociedade civil.

Essa escala confirma a Climate Week NYC como a maior plataforma de soluções climáticas do mundo fora das COPs. No programa, destaquei três movimentos que considero estratégicos:

1 – Mobilização de capital privado liderada pelo Brasil

A Sustainable Brazil COP30 Platform (SBCOP) apresentou ao embaixador André Corrêa do Lago um pacote de propostas para alavancar investimentos em energia limpa, bioeconomia, agricultura sustentável e infraestrutura resiliente.

O evento contou com a abertura de Michael Bloomberg — empresário e ex-prefeito de Nova York, destacado ativista climático e referência global em mobilização de capital privado para sustentabilidade — reforçando a visibilidade internacional e o protagonismo do setor privado na agenda climática.

2 – Anúncio histórico do presidente Lula

No plenário da ONU, o presidente Lula anunciou uma contribuição inicial de US$ 1 bilhão para o Tropical Forest Finance Facility (TFFF), fundo inédito que busca destravar investimentos em conservação e desenvolvimento sustentável das florestas tropicais. Esse gesto projeta o Brasil como líder global de financiamento climático e florestal.

3 – O lançamento do ReInvest+ pelo BID

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou o programa ReInvest+, estruturado para multiplicar capital privado através de garantias, blended finance e instrumentos de redução de risco.

O desafio é enorme: hoje, dos quase US$ 2 trilhões destinados ao clima, menos de US$ 200 bilhões chegam a países emergentes. E, dos US$ 40 trilhões investidos anualmente pelo setor privado, menos de 2% vão para esses mercados — mesmo sendo eles responsáveis por 60% do crescimento global.

O ReInvest+ propõe justamente mudar essa lógica, reciclando ativos de alta performance e liberando recursos para novos projetos climáticos. O edital está aberto até 24 de outubro no site do BID, convidando bancos comerciais a participarem dessa iniciativa inédita.

Ambição climática e NDCs

Além da mobilização financeira, o debate político também foi intenso. O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo contundente para que os países entreguem urgentemente suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), destacando a necessidade de acelerar cortes de metano, acabar com o desmatamento e avançar mais rápido na transição energética.

Esse chamado reforça que mobilizar capital é apenas uma parte do desafio — é preciso também garantir compromissos climáticos ambiciosos e verificáveis.

Expectativas para a COP30

Estamos mais otimistas e com a expectativa muito alta de que esses recursos realmente se transformem em realidade.

De forma simbólica e poderosa, o setor privado entregou propostas ao embaixador André Corrêa do Lago, indicando caminhos claros para investimentos em energia limpa, bioeconomia e agricultura regenerativa.

A expectativa é grande — e é com essa esperança que seguimos até sexta-feira (26), concluindo a Semana do Clima de Nova York e já projetando os próximos passos rumo à COP30 em Belém.