A COP30 precisa chegar ao coração dos brasileiros
Apesar da COP30 ser em Belém, apenas 29% dos brasileiros sabem o que o evento representa, aponta estudo da Ideia Big Data
Estamos vivendo semanas decisivas. Entre as pré-negociações críticas da COP na Semana de Bonn e a London Climate Week, as grandes discussões sobre o futuro climático do planeta acontecem. E, ainda assim, para a maior parte dos brasileiros, a COP30 segue sendo um evento distante. E não estou falando de opinião. Estou falando de dados.
Tive a oportunidade de conversar com a Cila Schulman, sócia da Ideia Big Data, que realizou uma pesquisa nacional com 1.502 brasileiros, apresentada e debatida no Oxford Brazil Forum UK, em junho de 2025. Os resultados me impactaram e me fizeram refletir profundamente sobre como precisamos ajustar a narrativa da COP30 para que ela conecte realmente com a população.
O que os brasileiros estão pensando?
A pesquisa trouxe algumas descobertas essenciais:
- Consciência existe, e é alta: 84% dos brasileiros dizem se sentir responsáveis pela proteção ambiental no seu dia a dia (Ideia Big Data, 2025). Como a própria Cila destacou em nossa conversa: "Quando 84% das pessoas se dizem responsáveis pela proteção ambiental, não dá mais para dizer que falta consciência. Falta canalizar essa vontade em ação e representatividade."
- Mas a COP ainda é desconhecida: Apesar de sediarmos a COP30 em Belém, só 29% sabem o que o evento representa. E, mesmo entre os que conhecem, menos da metade acredita que o evento terá um impacto real na luta climática (Ideia Big Data, 2025). Cila pontuou bem: "A baixa lembrança sobre a COP30 não significa desinteresse. Significa que o debate ainda está preso aos círculos institucionais. Chegou a hora de democratizar esse tema."
- O tema ambiental pesa nas decisões e na vida real: 41% dizem que a pauta ambiental é determinante na hora de escolher em quem votar. 67% já sentem impactos financeiros da degradação ambiental. 57% reconhecem que reduzir o consumo de carne pode ajudar o planeta (Ideia Big Data, 2025).
- Há também uma visão crítica de justiça climática: 78% acreditam que os grandes países ricos e empresas precisam ser mais cobrados do que as nações em desenvolvimento (Ideia Big Data, 2025).
- E há esperança de um Brasil protagonista, mas com limites: Mais da metade acredita que o Brasil pode crescer sem ampliar o petróleo, mas apenas 21% enxergam o país como líder no hidrogênio verde (Ideia Big Data, 2025).
O que isso tudo nos diz?
A mensagem é clara: existe um alto nível de consciência ambiental no Brasil, mas a COP ainda parece algo distante, quase técnico demais. O desafio não é despertar o interesse, ele já existe, mas traduzir o tema para a vida concreta das pessoas.
Como podemos aproximar a COP30 das pessoas?
Com base nesses aprendizados e na conversa com Cila, algumas direções ficam muito claras:
- Falar do impacto no cotidiano: como a crise climática já afeta o bolso, a saúde e o emprego.
- Usar uma linguagem mais emocional e menos técnica: trocando jargões por histórias reais.
- Dar protagonismo às vozes locais: indígenas, ribeirinhos, agricultores, jovens, quem vive as mudanças todos os dias.
- Transformar a COP num movimento nacional: e não apenas num evento internacional.
Dos brasileiros para o mundo
A COP30 tem o potencial de ser um marco não apenas global, mas sobretudo brasileiro. Mas, para isso, ela precisa sair dos círculos institucionais e entrar nas rodas de conversa, nas comunidades, nas escolas e nos lares. Como disse Cila Schulman: "Chegou a hora de democratizar esse tema". Se fizermos isso, não teremos apenas uma COP bem-sucedida. Teremos uma nova agenda climática construída de baixo para cima, com o Brasil mostrando ao mundo o poder de uma sociedade consciente, engajada e transformadora.




