Pedro Côrtes
Blog
Pedro Côrtes

Professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e um dos mais renomados especialistas em Clima e Meio Ambiente do país.

Ciclone-bomba se afasta, mas ventos de 110 km/h mantêm alerta

Sistema avança para alto-mar e temporais diminuem no RS, mas ventania persiste na costa; ar frio traz risco de geada e nova frente reforça queda das temperaturas

Compartilhar matéria

O ciclone-bomba avança para alto-mar nesta sexta-feira (7), mas seu afastamento não encerra o período de risco no Centro-Sul do Brasil. A ameaça muda de intensidade e de localização: as tempestades começam a perder força no Rio Grande do Sul, enquanto ventos fortes persistem na faixa costeira e o avanço do ar frio derruba as temperaturas.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a melhora ocorre gradualmente no território gaúcho ao longo desta sexta. A instabilidade, porém, continua mais intensa em Santa Catarina e no Paraná. No sábado (8), os dois estados ainda poderão registrar tempestades, com possibilidade de granizo.

Na costa, o vento passa a concentrar as atenções. Embora o centro do ciclone esteja cada vez mais distante, a circulação associada ao sistema ainda favorece rajadas intensas ao longo do litoral das regiões Sul e Sudeste. A Climatempo prevê nesta sexta-feira rajadas entre 90 e 110 km/h no litoral de São Paulo, Serra do Mar, Vale do Paraíba, Costa Verde e sul do Rio de Janeiro. Na cidade do Rio, os ventos podem chegar a 90 km/h; na capital paulista, a 80 km/h.

A persistência da ventania mesmo com o ciclone em alto-mar tem explicação. A forte diferença de pressão atmosférica entre o sistema sobre o Atlântico e as áreas de maior pressão sobre o continente acelera o deslocamento do ar. O contraste entre o ar quente que estava sobre o Sudeste e o ar frio que acompanha a frente também contribui para intensificar as rajadas.

No Rio Grande do Sul, a atenção se volta também para a queda acentuada da temperatura. O INMET prevê o avanço de uma intensa massa de ar frio após a passagem do sistema. No centro-sul do estado, as mínimas podem ficar próximas de 0°C, criando condições para formação de geada neste sábado. Um pulso de ar polar deverá reforçar a queda das temperaturas a partir de domingo, primeiro no Sul e, posteriormente, em áreas do Sudeste.

A sequência mostra que o afastamento do ciclone não significa uma normalização imediata do tempo. O risco de tempestades diminui primeiro no Rio Grande do Sul, as rajadas de vento ainda exigem atenção na costa e, neste final de semana, o frio passa a ocupar o centro das preocupações.

O ciclone vai embora, mas deixa para trás uma atmosfera ainda em transformação.