Pedro Côrtes
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Pedro Côrtes

Professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e um dos mais renomados especialistas em Clima e Meio Ambiente do país.

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Energia: Bandeira verde em janeiro não elimina riscos

Projeções climáticas indicam calor, menos chuvas e possível pressão sobre reservatórios

Torres de transmissão de energia elétrica no Pará
Calor tende a elevar o consumo de energia elétrica, aumentando a pressão sobre os reservatórios  • 30/03/2010 - REUTERS/Paulo Santos
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O ano de 2026 começa sem custo extra na conta de luz, mas com sinais de atenção no horizonte. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) confirmou que, em janeiro, a bandeira tarifária será verde, sem cobrança adicional aos consumidores.

Segundo a Aneel, apesar de volumes de chuva abaixo da média histórica no início do período chuvoso, os níveis dos reservatórios permaneceram estáveis em novembro e dezembro, reduzindo a necessidade de acionamento das usinas termelétricas, mais caras para o consumidor.

Essa estabilidade no nível dos reservatórios foi determinante para o sistema elétrico operar em condições favoráveis, permitindo a adoção da bandeira verde e aliviando o bolso dos consumidores no primeiro mês do ano.

Entretanto, projeções climáticas indicam que o cenário para o primeiro trimestre de 2026 pode ser mais desafiador.

De acordo com o modelo climático CFSv2, da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA), há sinalização de temperaturas acima da média em grande parte do país, à exceção das áreas mais a oeste da Região Norte. Isso tende a elevar o consumo de energia elétrica, aumentando a pressão sobre os reservatórios.

Ainda segundo as projeções do mesmo modelo climático, o cenário hidrológico será desfavorável, com chuvas abaixo da média nas regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste. Na região Norte e parte da Região Sudeste (áreas mais centrais e próximas ao litoral), a precipitação deverá ficar acima da média.

Nesse contexto, o alívio observado em janeiro pode ser temporário, e uma eventual revisão da bandeira tarifária para fevereiro ou março — com retorno ao nível amarelo — dependerá da combinação entre clima, consumo e gestão dos reservatórios.

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