Pedro Côrtes
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Pedro Côrtes

Professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e um dos mais renomados especialistas em Clima e Meio Ambiente do país.

Energia limpa já supera 40% da geração elétrica mundial

Às vésperas da COP30, relatório do centro britânico Ember e da Agência Internacional de Energia Renovável aponta o avanço das fontes eólica e solar, impulsionado pelo baixo custo de instalação e geração

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O cenário internacional pode não parecer muito favorável ao avanço dos programas de transição energética. Isso se explica pelo contexto instável do comércio internacional, o que pode levar países a reduzir investimentos em infraestrutura até que o cenário fique estabilizado.

Outro ponto importante que se soma ao anterior é a perspectiva de superprodução de petróleo nos EUA, o que deverá reduzir ainda mais o preço dessa commodity. Com uma situação instável na economia e com o petróleo mais barato, é possível que alguns países resolvam adiar novos projetos de transição energética.

Embora a possibilidade de adiamento não esteja de todo descartada, a transição energética tem evoluído por conta da redução dos custos de implantação e geração, tornando as opções de geração eólica e solar mais competitivas do que a obtida com o uso de combustíveis fósseis.

Relatório do centro britânico Ember, com dados da Agência Internacional de Energia Renovável, mostra que as fontes renováveis já representam 41% da geração mundial de energia elétrica. O grande impulso foi dado pela fonte solar, que cresceu 29% em capacidade em 2024, na média mundial.

No mesmo período, a capacidade obtida a partir de fontes eólicas teve um aumento de 7,9%. No ano passado, o crescimento da geração elétrica utilizando combustíveis fósseis foi de apenas 1,4%.

Esse crescimento da geração a partir de fontes renováveis se explica pela disseminação da microgeração distribuída de energia solar, com sistemas sendo implantados em casas e pequenos negócios.

Em diversos países, os consumidores perceberam que essa é uma forma de baratear o custo da energia elétrica, o que tem contribuído para ganhos de escala na produção de equipamentos fotovoltaicos.

As usinas eólicas, ao concentrarem maior capacidade de geração em cada unidade, demandam investimentos maiores, o que acaba reduzindo seu avanço, comparativamente à energia solar.

É necessário destacar, entretanto, que essa expansão demanda investimentos na construção ou ampliação de linhas de transmissão e sistemas de gerenciamento de múltiplas fontes de energia. Sem esses investimentos, o acréscimo das fontes renováveis poderá sofrer uma redução na velocidade de avanço.

Com a COP30 se aproximando, esses dados reacendem a esperança de que o mundo não retarde programas de transição energética. Há soluções que são inadiáveis.

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