Pedro Côrtes
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Pedro Côrtes

Professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e um dos mais renomados especialistas em Clima e Meio Ambiente do país.

Consumo de energia bate recorde

Em janeiro deste ano, um novo recorde de consumo de energia elétrica foi estabelecido, superando marca de 2024

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Em 2024, tivemos recordes de temperatura sendo quebrados em diversas regiões. Sucessivas ondas de calor se formaram, impedindo que frentes frias progredissem do Rio Grande do Sul para o restante do país.

A cúpula de calor que se formou no Centro–Oeste e no Sudeste acabaram por elevar o consumo, especialmente com maior uso de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores. É nos dias mais quentes que o consumo sobe e 2024 nos mostrou isso.

Como o inverno foi particularmente quente em diversos estados, o consumo durante os meses de “frio” foi praticamente igual ao verificado em janeiro de 2019, em pleno verão. E esse “menor” consumo em 2024 foi superior ao máximo de consumo de todos os anos anteriores, excetuando-se 2019, já mencionado.

Consumo recorde

Em janeiro deste ano, novo recorde foi batido, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Em 24 de janeiro, em pleno verão, o consumo chegou a 102.740 MWh/h enquanto em 15 de março do ano passado, no final do verão, o pico foi de 102.086 MWh/h.

Outra forma de comparação é verificar como foi o consumo em 2024 e 2025 em semanas equivalentes. Para isso, vamos comparar o consumo de 24 de janeiro deste ano com a demanda em 19 de janeiro de 2024.

É importante lembrar que o dia 25 de janeiro é feriado em São Paulo e isso reduz o consumo. Neste ano, esse feriado caiu em um sábado e no ano passado caiu em uma quinta-feira, com muitas pessoas fazendo um final de semana prolongado.

Portanto, a comparação foi feita entre 19/01/2024 e 24/01/2025, com 98.631 MWh/h e 102.740 MWh/h, respectivamente. Isso representou uma alta de 4% no consumo das duas semanas equivalentes.

O comparativo entre as demandas de 2024 e 2025 está disponível no gráfico a seguir.

Mais recordes

Neste início de ano, com ondas de calor elevando a temperatura em várias cidades, é de se esperar que novos recordes de consumo sejam batidos este ano.

O questionamento que muitos poderão fazer é se teremos condições de suprir essa demanda. No que se refere à geração, temos capacidade instalada para atender esse maior consumo. Seria importante investir em novas linhas de transmissão para melhor aproveitar a energia eólica, pois nem sempre é possível escoar uma maior quantidade gerada por essa fonte.

Fica a dúvida se as distribuidoras, que são as empresas que levam a energia aos consumidores finais, estarão em condições de suprir essa maior demanda. É possível que gargalos aconteçam em pontos específicos pela falta de investimentos em uma maior capacidade de atendimento.

Portanto, não se descarta eventuais episódios localizados de falta de energia na ponta da cadeia entre geradoras, transmissoras, distribuidoras e consumidores.