Pedro Côrtes
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Pedro Côrtes

Professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e um dos mais renomados especialistas em Clima e Meio Ambiente do país.

São Paulo e Europa: duas ondas de calor, um alerta comum

Interior paulista pode chegar a 40°C enquanto a Europa enfrenta a quinta onda de calor do verão. Episódios distintos mostram como temperaturas persistentes ampliam os riscos à saúde

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São Paulo entra nesta quinta-feira (13) em um período que pouco lembrará o inverno. A Defesa Civil estadual prevê uma forte onda de calor até quarta-feira (19), com temperaturas até 7°C acima da média nas regiões Norte, Noroeste e Oeste. Em alguns municípios, os termômetros poderão alcançar 40°C.

Na Grande São Paulo e em regiões como Campinas, Sorocaba e São José dos Campos, as temperaturas deverão ficar entre 3°C e 5°C acima da média de agosto, com máximas próximas de 33°C. Mais importante que um pico isolado será a persistência do calor durante vários dias.

O quadro paulista está associado à presença de uma massa de ar seco e à estabilidade atmosférica, que reduzem a formação de nuvens e chuva e favorecem o aquecimento. No extremo norte do estado, a Defesa Civil prevê umidade relativa abaixo de 30%, ampliando o desconforto e o risco de incêndios em vegetação.

O INMET monitora temperaturas excepcionalmente elevadas também em áreas da Amazônia, Centro-Oeste e Sudeste e no Paraná. Em seu monitoramento, o instituto considera como onda de calor a permanência das máximas pelo menos 5°C acima da média durante cinco dias consecutivos.

Enquanto o inverno paulista esquenta, a Europa enfrenta situação ainda mais severa em pleno verão. O continente atravessa a quinta onda de calor da estação. Nesta quinta-feira, a MétéoFrance mantém 80 departamentos sob alerta laranja, com previsão de 38°C em Paris. Espanha e Reino Unido também registram temperaturas muito elevadas.

As causas imediatas dos dois episódios são distintas, mas existem elementos comuns. Na Europa, sistemas persistentes de alta pressão dificultam a entrada de ar mais fresco e favorecem a acumulação de calor. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, esse padrão interage com um clima mais quente, enquanto mares excepcionalmente aquecidos e solos ressecados amplificam as temperaturas.

O solo seco é particularmente importante. Com menos água disponível para evaporação, uma parcela maior da energia solar aquece diretamente a superfície e o ar, reforçando o calor.

São Paulo e Europa não estão submetidos ao mesmo sistema meteorológico. O estado paulista enfrenta calor excepcional em pleno inverno; o continente europeu atravessa sua quinta onda de calor no verão. O ponto comum está nas consequências para a população.

O Ministério da Saúde inclui crianças e idosos entre os grupos que exigem atenção especial. Pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias, renais e outras condições crônicas também apresentam maior vulnerabilidade.

Desidratação, tontura, fraqueza, dor de cabeça, náusea e confusão mental podem indicar dificuldade do organismo em lidar com o calor. Nos casos mais graves, pode ocorrer insolação, uma emergência médica.

A prevenção exige hidratação frequente, menor exposição ao sol e redução das atividades físicas nos períodos mais quentes, além do uso de roupas leves e da manutenção de ambientes frescos e ventilados.

Com crianças e idosos, o cuidado deve ser ativo. É necessário acompanhar a ingestão de líquidos e observar alterações de comportamento ou sinais de mal-estar. Crianças nunca devem permanecer dentro de veículos estacionados, mesmo por poucos minutos.

O que acontece em São Paulo e o que a Europa enfrenta pela quinta vez neste verão reforçam uma mesma mensagem: diante do calor persistente, previsão e alerta precisam se transformar rapidamente em prevenção. A informação meteorológica passa a ser também uma ferramenta de proteção à saúde.