Pedro Duran
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Pedro Duran

O pai do Benjamin passou pela TV Globo, CBN e UOL. Na CNN, já atuou em SP, Rio e Brasília e conta histórias das cidades e de quem vive nelas

Análise: com mais do mesmo, debate de São Paulo teve reedição de duelos

Troca de acusações versou sobre a responsabilidade dos governos federal, estadual e municipal sobre a crise e a poda de árvores

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O provável penúltimo encontro, entre os adversários no segundo turno em São Paulo, ofereceu mais do mesmo ao eleitor paulistano, numa espécie de reedição de duelos, polêmicas e embates já vistos ao longo da campanha.

Boulos e Nunes se enfrentaram neste sábado (19) no debate promovido por Record e Estadão.

Entre os temas abordados neste e em outros embates anteriores, a investigação da máfia das creches, a falta de remédios nos postos de saúde, as ligações de Boulos com o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), a invasão do prédio da Fiesp, o apagão, a sugestão de quebra de sigilo bancário e o processo de rachadinha contra o deputado federal André Janones (Avante) - que Boulos relatou na Comissão de Ética da Câmara Federal.

Nunes e Boulos também recuperaram histórias da vida pessoal um do outro. Boulos questionou Nunes sobre tiros supostamente disparados por Nunes para o alto na porta de uma boate em Embu das Artes.

Nunes acusou Boulos de ter dado o calote em um motorista com quem teria se envolvido num acidente de carro em 2017. Os dois se esquivaram dos temas.

O debate, como previsto, começou mais uma vez com embate sobre o apagão em São Paulo, num dia que - mesmo sob garoa - a cidade teve mais de 60 mil imóveis com fornecimento de energia interrompida.

A troca de acusações versou sobre a responsabilidade dos governos federal, estadual e municipal em relação à crise e à poda de árvores.

As acusações pessoais geraram alguns pedidos de direito de resposta. Dos oito solicitados, cinco foram aceitos, nas contas da Record. Os candidatos também levaram puxões de orelha por falar fora do microfone.

Os dois candidatos trocaram um verdadeiro rosário de acusações e críticas. Nunes voltou a chamar Boulos de “agressivo” e “extremista”. Já o candidato do PSOL disse que o adversário do MDB é “fake”, “fraco”, “fantoche dos outros” e “maquiagem pura”.

“Quando tem focinho de rato, rabo de rato, cara de rato… não é ursinho carinhoso, é rato”, disse Boulos.

“As pessoas precisam saber quem é você. Você não é esse personagem de agora. Você é isso que eu tô falando”, afirmou Nunes.

Boulos soube administrar o tempo melhor que Nunes, mantendo um olho no adversário e outro no relógio. As expressões faciais e corporais, no entanto, fizeram a Record cortar a câmera do candidato diversas vezes.

Nunes teve o microfone cortado pelo tempo algumas vezes, mas manteve expressão intacta e rosto fechado na maior parte das falas do adversário.

Em um dos raros momentos quando propostas para a cidade foram o tema da discussão, os candidatos falaram sobre os CEUs. Mas logo o debate voltou a descambar para a depredação do prédio da Fiesp, na Av. Paulista.

Boulos prometeu 22 CEUs na cidade e Nunes afirmou ter disponibilizado 10 mil salas com lousa digital e promovido 44% de aumento no piso salarial de professores.