Carro de som e estoque de comida: cidades gaúchas se preparam para mais chuva
Cidades do RS usam retroescavadeira para retirar galhos de rios e emitem alertas para população em áreas de risco

Depois de pelo menos três dias de tréguas, várias cidades gaúchas voltaram a registrar chuvas nesta sexta-feira (10/5). A previsão é de que em alguns lugares do estado, chova o equivalente a 330 milímetros até segunda-feira (13/5). Para evitar novas tragédias, cidades de várias regiões do Rio Grande do Sul adotaram estratégias preventivas.
Em Porto Alegre, onde a chuva pode superar 300 milímetros, o departamento de águas (DMAE) está construindo dois diques provisórios na região da rua Duque de Caxias e em frente à Usina do Gasômetro para tentar frear a água da região central que está chegando à Cidade Baixa. A capital gaúcha fez ainda um mutirão de arrecadação de cobertores para enfrentar o frio nos abrigos municipais, onde há mais de 13 mil pessoas.
Já Canoas, na região metropolitana, prevê um volume menor de água: entre 80 e 120 milímetro nos próximos dias. A cidade intensificou o funcionamento de duas casas de bombas que ficam no bairro de Niterói, para evitar agravar os alagamentos. Mesmo assim, a ordem de esvaziar o bairro foi mantida. Canoas ainda pediu doação de colchões, cobertas e cestas básicas.
Ainda na região metropolitana, o município de Guaíba, ainda muito afetado pela falta de luz, fez circular um carro de som nas ruas pedindo para que as pessoas não voltem às casas. A cidade só terá um diagnóstico sobre a possibilidade de retorno na segunda (13/5) ou terça-feira (14/5).
Mesmo cidades que não foram muito afetadas estão em alerta. Em Alegrete, a decisão frente à possibilidade de novas chuvas foi manter nos abrigos pessoas que moram mais próximas ao rio e que, consequentemente, são as primeiras a serem atingidas. O cenário continuará assim até que o município tenha uma margem de segurança.
Em São Leopoldo, no interior, uma das cidades mais afetadas pela tragédia com 80% da população atingida, a Defesa Civil soltou um novo alerta de tempestades. O Rio dos Sinos estava baixando a dois centímetros e meio por hora, mas, com as chuvas, pode voltar a subir.
O extremo sul do estado deve ser a região mais afetada com as novas chuvas. Cidades que passaram praticamente ilesas na primeira onda de chuvas estão se mobilizando.
Em Pelotas, diques foram reforçados e várias áreas da cidade foram evacuadas. A prefeitura tem orientado para que pessoas que querem deixar suas casas estendam pelas janelas um pano ou peça de roupa vermelha. Quem se sente seguro deve usar tecido azul.
A cidade de Rio Grande também se organizou para a prevenção e escalou retroescavadeiras para limpar o canal Rio de Janeiro, retirando galhos que podem eventualmente piorar o cenário.



