Mesmo com orientação de evacuação, 350 famílias resistem em ficar em ilhas de Rio Grande
Ilhas de Torotama, Leonídio e Marinheiros têm juntas cerca de 4 mil habitantes; escolas e unidades de saúde estão com serviços suspensos

Com a subida inédita na Lagoa dos Patos, no sul do Rio Grande do Sul, a água alcançou 60 centímetros acima da régua do cais que fica na cidade de Rio Grande. O nível é alarmante, uma vez que deixa alagado um conjunto de três ilhas: Marinheiros, Leonídio e Torotama, onde vivem cerca de 4 mil pessoas. Apesar dos apelos da Defesa Civil do estado e da prefeitura, cerca de 350 famílias resistem em ficar no local.
As ilhas têm conexão por terra com a cidade, mas ela foi perdida no dia 7 de maio. De lá para cá, carros de passeio não conseguem mais fazer a travessia. Carros com tração nas quatro rodas ou caminhões, faziam eventualmente o trajeto, mas com a subida do nível da água nesta semana, já não transitam mais pelas conexões entre ilhas e o centro da cidade.
Justamente por isso, a ajuda às famílias está sendo enviada de helicóptero ou barcos. Nesta quarta-feira (15/5), cestas básicas foram distribuídas pela Defesa Civil para as famílias que resistem em sair. A equipe da CNN e o repórter Guilherme Rajão acompanharam o trabalho durante a tarde. De noite, a água voltou a subir e as equipes tiveram que, mais uma vez, se concentrar nos resgates de pessoas ilhadas.
Os avisos de evacuação estão sendo feitos desde o dia 7 de maio. Fontes da Defesa Civil afirmam que muitos resistem em sair porque são pescadores e têm barcos e manifestam o medo de deixarem as casas sozinhas, sem segurança. Eles alertam, no entanto, que a água pode subir repentinamente durante a noite e isso pode acabar ferindo até mesmo aqueles que têm estrutura para uma evacuação rápida.
A resposta também não é imediata. Na ilha dos Marinheiros, um barco que sai do centro de Rio Grande chega em cerca de 20 a 25 minutos. Mas na ilha da Torotama, esse percurso pode levar até uma hora. Mesmo de helicóptero, há lugares limitados e os trajetos precisariam priorizar as pessoas com situação mais vulnerável, como idosos, crianças e pessoas com dificuldade de locomoção.
Em alguns lugares da cidade de Rio Grande, a água já chegou até na cintura. A cidade está com aulas suspensas ao longo da semana e serviços de saúde fechados por conta dos riscos de alagamento ou dos danos causados. Há sete abrigos em funcionamento com mais de 500 pessoas.



