Depois de Igreja ouvir novo denunciante, vereadores debatem CPI do padre Júlio a portas fechadas
Na reunião, serão apresentadas três denúncias contra o vigário, num movimento de tentar emplacar uma comissão que investigue os atos de supostos crimes cometidos por ele

Em mais um capítulo da ofensiva dos vereadores de São Paulo contra o padre Júlio Lancellotti, o colégio de líderes da Câmara Municipal terá uma reunião a portas fechadas nesta terça-feira (5) para analisar pelo menos três denúncias apresentadas contra o vigário.
A CNN confirmou com fontes da direção da Câmara e com quatro líderes partidários a realização da reunião não divulgada oficialmente. Nela serão apresentadas três denúncias contra Lancellotti, num movimento de tentar emplacar uma CPI que investigue os atos de supostos crimes cometidos pelo padre.
O novo relato seria de um homem que teria sido assediado no ambiente de uma ONG e que teria mantido relações sexuais com o padre em troca de dinheiro para comprar drogas. A CNN apurou que essa nova denúncia não está incorporada em processos policiais, jurídicos ou canônicos e não teve acesso a provas que endossem esse relato.
A outra denúncia se refere a imagens onde supostamente o padre aparece em uma chamada de vídeo com um menor de idade em conversa com teor sexual. A gravação circulou em 2020 e já tinham sido avaliada pela Arquidiocese de São Paulo e pelo Ministério Público, em investigações arquivadas por falta de provas.
A terceira é sobre um caso que passou a ser investigado pela Igreja Católica no mês passado. O caso foi revelado pela Revista Oeste.
A reportagem traz o relato do homem que, aos 11 anos de idade, teria recebido carícias indevidas do religioso na sacristia, área da igreja dedicada à preparação dos padres para missas. A revista intermediou o contato entre a Igreja e o denunciante.
A CNN apurou com fontes da Igreja que o homem foi ouvido e reafirmou o relato perante a Comissão de Tutela da Cúria Metropolitana de São Paulo, que trata casos relacionados a denúncias de teor sexual e menores de idade.
A norma canônica define que a apuração corra em sigilo. Ela prevê que os passos futuros só seriam dados a partir da acolhida da suposta denúncia - o que ainda não aconteceu. Tudo isso é feito de forma sigilosa para preservar as partes envolvidas e a apuração ainda não se transformou em um processo de fato.
“A recente divulgação de laudos periciais com resultados contraditórios e a notícia de um suposto novo fato de abuso sexual envolvendo o referido sacerdote requerem uma nova investigação da parte da Arquidiocese para a busca da verdade”, afirmou a Arquidiocese de São Paulo em fevereiro.
As perícias se referem ao vídeo que circulou em 2020. O novo fato, ao homem que teria sido importunado sexualmente décadas atrás.
A reunião desta terça-feira (5/3) será decisiva para avaliar o clima político para o avanço de uma eventual CPI sobre o tema na Câmara dos Vereadores. Antes do carnaval, a discussão havia sido suspensa pelo presidente da Câmara, Milton Leite (União Brasil).
A ideia à época era avaliar se seria necessário mudar o requerimento apresentado e colher novas assinaturas, já que o pedido inicial previa a investigação de ONGs que atuam em São Paulo.
O novo relato que será apresentado pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil) tenta relacionar as denúncias contra o padre a ONGs, de modo que o requerimento já assinado e apresentado possa ser usado como base para uma CPI sobre o caso.
A CNN tentou contato com o padre Júlio Lancellotti sobre as denúncias e aguarda resposta.



